Os resultados da Netflix no primeiro trimestre ficaram acima das expectativas ao nível das receitas e lucros. Mas as projeções para o trimestre seguinte ficaram aquém do esperado, o que desapontou o mercado, numa altura em que a plataforma de streaming anunciou a saída de Reed Hastings, cofundador e atual chairman, que deixará funções em junho após quase três décadas na empresa.
A Netflix registou receitas de 12,25 mil milhões de dólares até março, um crescimento de 16% face ao período homólogo, em linha com as estimativas do mercado. O desempenho foi suportado pelo aumento do número de subscritores, revisões de preços e crescimento da publicidade, um segmento que a plataforma tem vindo a reforçar.
No plano da rentabilidade, os resultados superaram claramente as previsões. O lucro por ação atingiu 1,23 dólares, acima dos 0,76 dólares esperados, enquanto o lucro líquido total subiu para 5,28 mil milhões de dólares, mais 83% do que no ano anterior.
Este desempenho foi parcialmente impulsionado por um efeito extraordinário associado a um acordo com a Warner Bros.. Depois da desistência da Netflix na aquisição de ativos da empresa, a Paramount, que acabou por concretizar o negócio, pagou uma compensação contratual de cerca de 2,8 mil milhões de dólares.
Apesar dos resultados positivos, o mercado reagiu negativamente às previsões da empresa para o segundo trimestre. A Netflix estima receitas de 12,57 mil milhões de dólares, abaixo dos 12,64 mil milhões antecipados pelos analistas, e um lucro por ação de 0,78 dólares, também inferior às expectativas.
A empresa indicou ainda que o segundo trimestre deverá registar uma aceleração nos custos associados à amortização de conteúdos, refletindo o investimento contínuo em produção e aquisição de conteúdos, com impacto nas margens.
Em paralelo, a Netflix anunciou a saída de Reed Hastings, cofundador e atual chairman, que deixará funções em junho após quase três décadas na empresa. Hastings deverá dedicar-se a atividades filantrópicas e a outros projetos pessoais. A saída marca o fim de um ciclo na liderança da empresa, numa fase em que a Netflix enfrenta novos desafios competitivos, incluindo a crescente fragmentação do mercado de streaming e a necessidade de diversificar fontes de receita.
A reação dos mercados foi imediata, com as ações a registarem quedas superiores a 9% no período de negociação após o fecho, refletindo preocupações com o ritmo de crescimento futuro e a evolução da rentabilidade num contexto de investimento elevado em conteúdos.
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