Nokia promete duplicar eficiência do espectro com plataforma inovadora AI-RAN

2026-07-16

A Nokia anunciou o lançamento da sua primeira plataforma comercial AI-RAN, que deverá entrar em pilotos no final deste ano e ficar disponível comercialmente em 2027. A solução, desenvolvida em parceria com a NVIDIA, promete transformar a rede de acesso rádio numa infraestrutura mais inteligente, programável e preparada para a próxima geração de serviços móveis.

A nova plataforma combina o software anyRAN da Nokia com a plataforma NVIDIA Aerial AI-RAN, integrando computação acelerada e algoritmos de inteligência artificial na arquitetura da rede rádio. O objetivo é permitir aos operadores móveis extrair mais capacidade do espectro e da infraestrutura que já possuem, reduzindo a dependência de ciclos tradicionais de atualização de hardware.

A empresa afirma que a plataforma já demonstrou ganhos superiores a 20% em eficiência espectral, através de inovações rádio baseadas em IA, e que está no caminho para atingir 50% de ganhos em 2027 e mais de 100% em 2028. Na prática, isto significaria mais do que duplicar a capacidade dos ativos de espectro existentes, proposta particularmente relevante para os operadores pressionados pelo crescimento do tráfego móvel e pela necessidade de controlar custos.

A AI-RAN marca uma mudança na forma como as redes móveis são concebidas. Em vez de tratar a IA apenas como uma ferramenta de automação ou otimização externa, a Nokia quer integrar inteligência artificial diretamente na camada rádio, permitindo que a rede aprenda, ajuste parâmetros, melhore a utilização do espectro e evolua através de software.

Segundo Justin Hotard, presidente e CEO da Nokia, a AI-RAN é "a maior inovação em rádio em décadas" e cria uma via de evolução para redes mais inteligentes, incluindo uma trajetória de atualização por software rumo ao 6G. A solução permite aos operadores melhorar desempenho, rentabilizar melhor os ativos existentes e lançar novos serviços mais rapidamente.

A NVIDIA posiciona a parceria como uma entrada da computação acelerada no centro das redes móveis. Jensen Huang, fundador e CEO da empresa, afirma que a rede de acesso rádio será "a próxima infraestrutura de IA", ao trazer CUDA e IA para a baseband e transformar a RAN numa plataforma distribuída de computação.

A Nokia propõe três caminhos de adoção. Para operadores que já usam AirScale, haverá uma unidade de expansão de capacidade alimentada por GPU, permitindo introduzir capacidades AI-RAN sem substituir a infraestrutura existente. Para operadores que procuram maior flexibilidade, será disponibilizado um nó AI-RAN autónomo, compatível com 4G, 5G e futuras cargas de trabalho 6G. Para arquiteturas cloud-native, a Nokia prevê ainda soluções em servidores COTS, entregues através de parceiros do ecossistema.

Esta abordagem procura responder a uma das principais preocupações dos operadores: evitar projetos de substituição integral de rede. A Nokia defende que a plataforma será compatível com Open RAN e permitirá modernizar infraestruturas ao ritmo de cada operador, preservando investimentos já realizados e acrescentando novas capacidades através de software.

O modelo comercial também acompanha essa lógica. A empresa aponta para um modelo de subscrição de software, através do qual os operadores poderão receber algoritmos, novas funcionalidades, melhorias de eficiência espectral e capacidades AI-native sem esperar por novos ciclos de hardware. A proposta é acelerar a inovação na rede e melhorar o custo total de propriedade.

A plataforma surge num momento em que o setor móvel procura novas formas de monetizar o 5G e preparar a transição para 5G-Advanced e 6G. Para os operadores, a promessa de obter mais capacidade do espectro existente é particularmente apelativa, porque o espectro é caro, limitado e essencial para responder ao aumento do tráfego de dados.

A AI-RAN também pode abrir novas oportunidades no edge e em serviços de IA distribuída. Ao aproximar computação acelerada da rede rádio, os operadores poderão suportar aplicações de baixa latência, inferência local, redes privadas, automação industrial e novos serviços empresariais. Mas essa oportunidade dependerá da existência de modelos de negócio claros, para além dos ganhos de eficiência da rede.

Para a Nokia, o anúncio reforça o posicionamento numa área estratégica onde a competição entre fornecedores de redes, fabricantes de chips e plataformas cloud está a intensificar-se. A integração com a NVIDIA dá à empresa uma proposta diferenciada para redes AI-native, mas também coloca a RAN no centro da disputa pela infraestrutura da IA.

 


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