NTT DATA alerta: cloud ainda trava ambições das empresas em IA

2026-05-27

A adoção de inteligência artificial está a aumentar a dependência das empresas em relação à cloud. Mas muitas ainda não têm maturidade suficiente para transformar esse investimento em valor. O resultado é que só 14% das organizações atingiram o nível mais elevado de maturidade na cloud, apesar de quase duas décadas de adoção desta tecnologia. Os dados são do relatório "Cloud-led innovation in the era of AI: The new rules for driving value with cloud", da NTT DATA-
O estudo, baseado num inquérito global a mais de 2.300 decisores seniores em 33 países, identifica um paradoxo: 99% das organizações afirmam que a IA está a aumentar a necessidade de investimento em cloud, mas 88% dizem que os atuais níveis de investimento colocam em risco iniciativas de IA, projetos cloud native e processos de modernização.
A cloud é hoje vista como essencial para a inovação, mas menos de metade das organizações está satisfeita com o impacto obtido ou com o progresso da modernização. Para a NTT DATA, isto revela um desalinhamento entre ambição e capacidade de execução, num momento em que a cloud deixou de ser apenas infraestrutura e passou a funcionar como camada operacional da IA.
"A IA está a acelerar mais rapidamente do que a maturidade das empresas na cloud", afirma Charlie Li, president, global head of Cloud and Security da NTT DATA. Que sublinha que as organizações que não evoluírem as suas fundações cloud arriscam limitar o crescimento e o valor dos investimentos em IA.
Para Pedro Cruz, partner & head of Infrastructure Services da NTT DATA Portugal, o estudo confirma que "não é a ambição em torno da IA que está a falhar, mas sim a capacidade de execução sustentada pela cloud". Por isso, defende que as organizações mais avançadas são as que modernizam aplicações, simplificam arquiteturas e tratam a cloud como plataforma estratégica de valor de negócio.
O relatório identifica seis imperativos para gerar valor com cloud na era da IA. O primeiro é desenvolver estratégias de cloud e IA em conjunto. A procura por IA está a aumentar, mas o alinhamento interno continua desigual, e a IA surge já como a principal lacuna de competências em cloud.
O segundo passa pelas escolhas de arquitetura. As organizações estão a combinar modelos de cloud pública, privada, híbrida e soberana, com a adoção de cloud soberana prevista para crescer 50% em dois anos. A cloud privada também deverá continuar a ganhar peso, num contexto de maior atenção a segurança, controlo e requisitos regulatórios.
A modernização aplicacional surge como outra prioridade. Metade das organizações afirma que as aplicações e plataformas de dados legadas estão a travar a inovação, tornando a modernização uma das principais prioridades para os próximos dois anos.
O estudo aponta ainda para a necessidade de uma abordagem assente em plataformas. Mais de metade das empresas refere desafios na gestão de custos da cloud e espera-se um aumento de três vezes nas plataformas cloud totalmente geridas, à medida que os ambientes se tornam mais complexos.
Outro ponto crítico é a redefinição dos indicadores de sucesso da transformação cloud. A NTT DATA defende que as empresas devem passar de métricas técnicas para métricas de negócio. Entre os líderes em cloud, 47% usaram IA no último projeto de migração, contra 35% das restantes organizações.
Por fim, a segurança continua a ser a principal prioridade de investimento em cloud. A confiança, contudo, varia de forma significativa: 68% dos líderes em cloud dizem estar muito confiantes na sua postura de segurança, face a 36% das restantes organizações. Os líderes têm também maior probabilidade de definir funções, responsabilidades e auditorias regulares.
Com a IA a alterar o papel da cloud nas empresas, o desafio já não é apenas migrar infraestrutura, mas sim criar fundações suficientemente modernas, seguras e governadas para suportar automação, dados, aplicações e modelos de IA à escala. Para as organizações, a capacidade de executar a partir da cloud poderá determinar o retorno real dos investimentos em inteligência artificial.
 


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