Há seis macrotendências que vão moldar a próxima fase da inovação digital. É que a IA deixou de ser apenas um instrumento de automação e passou a integrar decisões estratégicas, modelos operacionais e cadeias de valor completas. Neste cenário, as empresas são desafiadas a definir estratégias de médio e longo prazo que articulem tecnologia, governação e impacto social. A conclusão é de um novo estudo da NTT DATA.
Denominado Technology Foresight, este relatório anual analisa a forma como as organizações estão a escalar o uso de inteligência artificial, infraestruturas híbridas e tecnologias avançadas, num contexto descrito como a "era da inteligência em massa".
Assim, a primeira tendência identificada, designada Human-Orchestrated Autonomy, aponta para uma nova geração de sistemas autónomos capazes de operar em escala, mantendo alinhamento com objetivos humanos e empresariais. A ênfase desloca-se da automação pura para a orquestração estratégica, com mecanismos de transparência e controlo que assegurem coerência com metas organizacionais e enquadramentos regulatórios.
Sob o conceito de Embodied Agency and Emotion, o relatório antecipa uma maior integração de sistemas com capacidade de resposta emocional, sobretudo em ambientes de interação homem-máquina. A NTT DATA sustenta que a incorporação de camadas emocionais sintéticas poderá influenciar áreas como experiência do cliente, saúde, educação e produtividade, exigindo, contudo, enquadramentos éticos robustos.
A terceira tendência, Intelligence We Trust, coloca a cibersegurança no centro da arquitetura digital. À medida que os sistemas de IA ganham maior autonomia, a segurança deixa de ser apenas preventiva e passa a ser adaptativa, com capacidade de aprendizagem contínua face a novas ameaças. A rastreabilidade, a auditabilidade e a explicabilidade dos sistemas tornam-se requisitos estruturais.
Com a tendência de Informed Infrastructure, a NTT DATA descreve uma evolução das infraestruturas digitais para modelos com inteligência integrada, capazes de otimizar desempenho, antecipar picos de procura e equilibrar custos e sustentabilidade. O conceito abrange ambientes híbridos que combinam dispositivos, edge computing e cloud, com orquestração dinâmica de workloads.
O relatório destaca ainda o Sovereign Silicon Ecosystem, sublinhando o papel estratégico dos semicondutores na autonomia tecnológica dos Estados. A crescente fragmentação geopolítica e as disrupções nas cadeias de abastecimento reforçam a necessidade de ecossistemas end-to-end que assegurem controlo sobre produção, propriedade intelectual e capacidade de inovação em computação avançada.
A sexta tendência, From Illusionary Efficiency to Sufficiency, propõe uma mudança de paradigma. Em vez de maximização contínua da eficiência operacional, a tecnologia deverá ser orientada para modelos de crescimento sustentável, compatíveis com limites ambientais e sociais. A NTT DATA sugere que a resiliência de longo prazo dependerá da capacidade das organizações em integrar métricas de impacto ambiental, governança e credibilidade no centro da transformação digital.
Para a empresa, a combinação destas seis tendências traduz uma transição estrutural: da digitalização focada em produtividade para uma fase em que inteligência, soberania e confiança passam a determinar a competitividade. O relatório defende que as organizações que articularem inovação tecnológica com princípios de responsabilidade e transparência estarão mais bem posicionadas para responder a um contexto regulatório e geopolítico mais exigente.
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