A OpenAI defende uma reformulação estrutural dos modelos económicos, de forma a responder ao impacto crescente da inteligência artificial no emprego, nos rendimentos e nos sistemas fiscais. Assim, num documento de orientação que foi divulgado por alguns meios internacionais, apresentou um conjunto de propostas que visam mitigar os efeitos da automação e redistribuir os ganhos de produtividade gerados pela IA.
Entre as medidas sugeridas destaca-se a criação de um fundo público de riqueza, que permitiria canalizar parte do valor gerado pela economia digital para os cidadãos. Este fundo investiria em ativos diversificados, incluindo empresas de IA e organizações que integram estas tecnologias, distribuindo retornos diretamente à população. A proposta aproxima-se de modelos discutidos no âmbito de fundos soberanos e de mecanismos de rendimento básico.
A dona do ChatGPT sugere igualmente que os governos incentivem a adoção de semanas de trabalho de quatro dias, sem redução salarial, como forma de compensar os ganhos de produtividade associados à IA. Esta abordagem tem vindo a ganhar tração em vários mercados, com experiências-piloto em países europeus e debates em torno da reorganização do tempo de trabalho em economias altamente automatizadas.
No plano fiscal, a OpenAI propõe uma reconfiguração do sistema de tributação, com maior incidência sobre lucros empresariais e mais-valias, em detrimento da tributação do trabalho. A empresa sugere ainda a possibilidade de taxar o recurso a trabalho automatizado, frequentemente designado como "imposto sobre robots", como forma de compensar a redução potencial das contribuições associadas ao emprego humano.
O documento aborda também a necessidade de adaptar os sistemas de proteção social, propondo a criação de "contas portáteis" que acompanhem os trabalhadores ao longo de diferentes empregos, setores ou projetos. Este modelo pretende responder à crescente fragmentação das carreiras e à volatilidade do mercado de trabalho.
Estas propostas surgem num contexto de intensificação do debate global sobre o impacto da IA na economia. Estudos recentes de organizações como o International Monetary Fund e o World Economic Forum apontam para uma transformação significativa do mercado de trabalho, com potencial substituição de funções, mas também criação de novas atividades.
Vários líderes tecnológicos têm defendido abordagens semelhantes. O líder da OpenAI, Sam Altman, tem reiterado a necessidade de mecanismos de redistribuição, enquanto Elon Musk tem defendido cenários de rendimento básico universal. Outros executivos, como Jensen Huang, líder da Nvidia, têm apontado para a redução da semana de trabalho como consequência direta do aumento da produtividade.
O documento da OpenAI não apresenta medidas vinculativas, mas sinaliza uma tentativa de influenciar o debate político e económico numa fase em que a IA começa a alterar de forma estrutural os modelos de produção e distribuição de valor.
Em operação que seria histórica no setor, criando um mega-operador