Reino Unido tenta atrair Anthropic em plena tensão com Pentágono

2026-04-08

O Governo britânico está a intensificar esforços para atrair a Anthropic a expandir a presença da dona do Claude no país. Tenta assim aproveitar um momento em que a empresa norte-americana enfrenta um conflito direto com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos sobre a utilização militar dos seus modelos de inteligência artificial. De acordo com informação avançada pelo Financial Times, Londres vê na atual tensão uma oportunidade estratégica para reforçar o seu posicionamento como hub europeu de IA, num contexto de crescente competição global por talento, investimento e capacidade tecnológica.
A Anthropic, avaliada em cerca de 380 mil milhões de dólares, tem vindo a afirmar-se como um dos principais atores no desenvolvimento de modelos avançados de IA, nomeadamente com o Claude, concorrente direto do ChatGPT. A empresa distingue-se pela abordagem centrada na segurança e na definição de limites éticos para a utilização das suas tecnologias.
O interesse britânico insere-se numa estratégia mais ampla liderada pelo Governo de Keir Starmer, que procura atrair empresas tecnológicas de referência e consolidar o Reino Unido como polo de inovação. Entre as propostas em análise estão o reforço da operação da Anthropic em Londres e a possibilidade, ainda teórica, de uma dupla cotação em bolsa no Reino Unido e nos Estados Unidos.
A iniciativa deverá ser formalizada durante a visita do CEO Dario Amodei ao país, prevista para maio, num momento em que a empresa se encontra sob pressão crescente de Washington. O conflito com o Pentágono centra-se no acesso ao modelo Claude para aplicações militares. As autoridades norte-americanas pretendem remover salvaguardas técnicas que limitam o uso da tecnologia em cenários sensíveis, incluindo vigilância em massa e sistemas autónomos de defesa. A recusa da Anthropic em flexibilizar essas restrições poderá implicar a perda de contratos avaliados em cerca de 200 milhões de dólares e a eventual classificação da empresa como risco para a cadeia de abastecimento militar.
A posição da empresa tem sido consistente. Dario Amodei defende que a Anthropic não deve permitir utilizações que comprometam princípios éticos ou representem riscos sistémicos, colocando em evidência uma questão mais ampla: até que ponto empresas privadas podem impor limites ao uso estatal de tecnologias críticas.
Este debate ocorre num momento em que a IA assume um papel central nas estratégias de defesa e segurança nacional, sobretudo no contexto de rivalidade tecnológica entre grandes potências.
A Anthropic já conta com cerca de 200 colaboradores no Reino Unido, incluindo dezenas de investigadores, e integra um ecossistema competitivo onde também estão presentes empresas como a OpenAI e a Google DeepMind, esta última com um centro de investigação de grande escala em Londres. 
O Governo britânico tem vindo a reforçar os incentivos ao setor, incluindo o lançamento recente de um laboratório financiado com cerca de 40 milhões de libras para projetos de investigação avançada em áreas como saúde, mobilidade e ciência.
A disputa em torno da Anthropic ilustra a crescente ligação entre tecnologia, geopolítica e regulação, num momento em que a definição de regras para a utilização da inteligência artificial se torna um fator crítico para o equilíbrio entre inovação, segurança e soberania digital.
 


Em operação que seria histórica no setor, criando um mega-operador


Amazon, Microsoft, Alphabet, Meta e Oracle


Segundo o Brand Phishing Ranking da Check Point Research


Com disponibilização de 63,2 milhões de euros


Avançando com a sua estratégia de crescimento por aquisições


Apesar de ter superado receitas e lucros no 1º trimestre


Mas custos com chips pressionam lucros


Em operação de cerca de 20 mil milhões