Samsung bate recordes graças ao boom dos chips para IA e datacenters

2026-07-30

A Samsung Electronics registou receitas e resultados operacionais recorde no segundo trimestre de 2026, impulsionada pela forte procura de chips de memória destinados à inteligência artificial e aos data centers. Mas se o crescimento do negócio de semicondutores está a acelerar, o negócio dos smartphones e outros equipamentos enfrentam uma forte pressão sobre a procura, preços e margens, o quelevou a perdas nesta área. 
As receitas consolidadas atingiram 171,5 biliões de won sul-coreanos, cerca de 119 mil milhões de dólares, mais 130% do que no mesmo período do ano anterior. O resultado operacional subiu para aproximadamente 89,5 biliões de won, perto de 62 mil milhões de dólares, contra 4,7 biliões um ano antes.
Os valores confirmam as estimativas preliminares divulgadas pela Samsung no início de julho, que apontavam para vendas próximas de 171 biliões de won e um resultado operacional de 89,4 biliões. No primeiro trimestre, o grupo já tinha alcançado máximos históricos, com receitas de 133,9 biliões e lucros operacionais de 57,2 biliões de won.
A divisão de semicondutores foi responsável por praticamente todo o lucro operacional do grupo, com cerca de 89,2 biliões de won. O valor representa um aumento superior a 250% face ao mesmo trimestre do ano anterior. O crescimento foi sustentado pela subida dos preços das memórias DRAM e NAND e pela procura de memória de elevada largura de banda, ou HBM, utilizada nos aceleradores de inteligência artificial.
A expansão dos investimentos dos hiperescaladores e dos grandes laboratórios de IA está a aumentar o consumo de chips por servidor e a pressionar a capacidade disponível no mercado. A Samsung beneficiou também da evolução das vendas de HBM4 e de outras memórias avançadas destinadas às próximas gerações de plataformas computacionais. 
O grupo revê que a procura associada à IA permaneça elevada pelo menos até 2027 e considera que as restrições na oferta de memória poderão prolongar-se até 2028. Para estabilizar um negócio historicamente sujeito a fortes oscilações, está a aumentar o peso dos contratos plurianuais com os maiores operadores de data centers. Já celebrou acordos de fornecimento com os cinco maiores clientes mundiais deste mercado e está a negociar contratos com outros cinco grupos. Os compromissos terão uma duração mínima de cinco anos e incluem pagamentos antecipados e preços mínimos.
O objetivo é colocar cerca de dois terços da produção de memória sob contratos de longo prazo, reduzindo a exposição às variações de preços e assegurando procura para os investimentos em novas fábricas.
O desempenho dos semicondutores contrastou com as dificuldades da divisão móvel, que registou uma perda operacional estimada em 700 mil milhões de won. A área de smartphones foi penalizada pela menor procura, pelo aumento dos custos dos componentes e pela pressão concorrencial nos segmentos de entrada e gama média. A subida dos preços das memórias, favorável à divisão de chips, aumenta simultaneamente os custos de produção dos equipamentos da própria Samsung.
O aumento do preço dos componentes pode obrigar a Samsung a rever preços, configurações e calendários de lançamento, sobretudo em categorias onde a procura continua sensível ao custo.
A Samsung prevê também uma recuperação gradual do negócio de fabrico de chips por contrato, ou foundry, depois de vários trimestres de baixa utilização das instalações e dificuldades na produção com processos mais avançados. A empresa pretende iniciar ainda este ano a produção na nova fábrica de Taylor, no Texas. Uma segunda unidade norte-americana deverá entrar em produção em massa até 2030.
O reforço da capacidade nos Estados Unidos procura aproximar a produção dos grandes clientes tecnológicos e responder às políticas norte-americanas de relocalização da cadeia de semicondutores.
Apesar dos resultados recorde, as ações da Samsung recuaram depois da apresentação das contas. A reação reflete dúvidas sobre a sustentabilidade do investimento mundial em IA, o aumento esperado das despesas de capital e a expansão dos fabricantes chineses de memória. 


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