SAP posiciona-se como plataforma central da IA empresarial

2026-05-14

A SAP quer assumir-se como uma das plataformas centrais da próxima fase da IA nas empresas, marcada pela passagem de assistentes e pilotos para agentes capazes de executar processos críticos de negócio. Na conferência SAP Sapphire 2026, a tecnológica apresentou um novo posicionamento em torno da Empresa Autónoma, reforçou a sua plataforma unificada de SAP Business AI e anunciou parcerias estratégicas com alguns dos principais players globais de IA, cloud, dados e automação.
A aposta passa por transformar a SAP num ambiente governado onde empresas possam criar, contextualizar e operar agentes de IA ligados aos seus processos, dados e regras de negócio. A empresa quer diferenciar-se num mercado onde a adoção de IA empresarial deixou de depender apenas da qualidade dos modelos fundacionais e passou a exigir integração com sistemas críticos, conformidade, segurança e capacidade de execução.
Este posicionamento é reforçado por um conjunto alargado de parcerias. A Anthropic vai integrar o Claude entre os modelos fundacionais usados pela SAP para suportar agentes Joule em áreas como recursos humanos, compras e cadeia de abastecimento. A AWS permitirá integração de dados sem cópia entre a SAP Business Data Cloud e o Amazon Athena. Já a Google Cloud e a Microsoft vão viabilizar interoperabilidade bidirecional entre o Joule e frameworks externos de agentes.
A SAP anunciou ainda parcerias com a Mistral AI e a Cohere, para disponibilizar opções de modelos soberanos na sua infraestrutura cloud, com a n8n, para orquestração visual de fluxos de trabalho de IA no Joule Studio, com a NVIDIA, cujo OpenShell dará suporte a um ambiente de execução seguro e de confiança, e com a Parloa, para integrar agentes de IA na SAP Service Cloud. No plano da implementação, a tecnológica destacou colaborações com Palantir, Accenture e Conduct, focadas em migração de dados e transição para ERP cloud suportada por IA.
É neste ecossistema que a SAP enquadra o conceito de Empresa Autónoma. A proposta assenta em três componentes: uma plataforma de IA unificada para criar e governar agentes; uma suite autónoma capaz de executar operações empresariais; e uma nova experiência de utilizador, em que as pessoas passam a interagir com o software através de linguagem natural e objetivos de negócio, em vez de navegarem por múltiplas aplicações e ecrãs.
"Nos processos críticos para a missão dos nossos clientes, ‘quase certo' simplesmente não é suficiente", afirma Christian Klein, CEO da SAP. O responsável sublinha que, ao unir a SAP Business AI Platform à SAP Autonomous Suite, a empresa integra agentes de IA nos processos de negócio, nos dados e na governação, para gerar resultados "precisos, em conformidade e seguros".
A nova SAP Business AI Platform passa a unificar a SAP Business Technology Platform, a SAP Business Data Cloud e a SAP Business AI num único ambiente governado. No seu núcleo está o SAP Knowledge Graph, que dá aos agentes um mapa estruturado das entidades, processos e relações de negócio no ecossistema SAP de cada cliente. O Joule Studio permitirá criar agentes empresariais, aplicações e fluxos de trabalho com IA, recorrendo a abordagens no-code, pro-code ou frameworks escolhidas pelos programadores.
A SAP Autonomous Suite será a camada de execução. A empresa prevê disponibilizar mais de 50 Joule Assistants específicos por domínio, em áreas como finanças, cadeia de abastecimento, compras, capital humano e experiência do cliente, capazes de orquestrar mais de 200 agentes especializados. Um dos exemplos é o Autonomous Close Assistant, desenhado para reduzir o fecho financeiro de semanas para dias, automatizando lançamentos contabilísticos, reconciliações e resolução de erros.
A SAP está também a expandir o Industry AI, com sete soluções autónomas específicas por setor. Um dos casos apresentados envolve a RWE, grupo energético europeu, onde agentes de IA ajudam a reduzir indisponibilidades não planeadas em turbinas eólicas offshore, analisando incidentes anteriores, identificando causas prováveis e gerando ordens de trabalho pré-preenchidas.
A experiência de utilização será redesenhada com o Joule Work. Em vez de interagirem com várias aplicações isoladas, os utilizadores descrevem o resultado pretendido e o Joule orquestra fluxos de trabalho, dados e agentes para o concretizar. A solução estará disponível em desktop, dispositivos móveis e por voz, tanto em sistemas SAP como não-SAP.
Para acelerar a adoção, a SAP criou ainda um fundo de 100 milhões de euros para parceiros, destinado a apoiar clientes na implementação de assistentes e agentes de IA. A empresa reforçou também os programas RISE with SAP e GROW with SAP com acesso ao portefólio de Joule Assistants e apresentou ferramentas de transformação lideradas por agentes que podem reduzir os esforços de migração de ERP em mais de 35%.
Com este reposicionamento, a SAP pretende ocupar o espaço entre os modelos fundacionais de IA e a operação real das empresas. A sua aposta é transformar agentes inteligentes numa camada segura e governada de execução empresarial, capaz de ligar dados, processos, pessoas e decisões críticas.
 


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