As chamadas "Sete Magníficas" - Apple, Microsoft, Nvidia, Amazon, Alphabet, Meta e Tesla - terão perdido cerca de 2,3 biliões de dólares em valor de mercado em junho. Um movimento de correção que penalizou algumas das maiores tecnológicas norte-americanas e voltou a levantar dúvidas sobre a sustentabilidade das valorizações ligadas à inteligência artificial.
As estimativas são do ETF Roundhill Magnificent Seven, um fundo que acompanha o desempenho deste grupo de empresas e que caiu perto de 13% em junho, face a uma descida de cerca de 3% do S&P 500 no mesmo período. Foi o pior desempenho mensal do fundo desde o seu lançamento, em 2023, embora tenha recuperado parcialmente no final do mês.
A pressão foi transversal ao grupo, mas não uniforme. Microsoft e Amazon terão perdido, cada uma, mais de 350 mil milhões de dólares em capitalização bolsista durante a correção, enquanto a queda mediana entre as sete empresas se aproximou dos 10%. O movimento reflete uma rotação dos investidores para fora das tecnológicas, num contexto de maior escrutínio sobre os custos crescentes da IA, o retorno dos investimentos em data centers e chips e a capacidade de manterem ritmos elevados de crescimento.
As "Sete Magníficas" continuam a ter um peso elevado nos principais índices norte-americanos e, por isso, qualquer correção prolongada nestas empresas tem impacto direto no S&P 500 e no Nasdaq. No início de junho, este grupo representava cerca de um terço do valor do S&P 500, o que reforça a dependência dos mercados face a um número reduzido de empresas.
A correção surge numa altura em que os investidores começam a distinguir melhor entre empresas que beneficiam diretamente da procura por semicondutores e infraestrutura de IA, como a Nvidia, e grupos que estão a aumentar fortemente o investimento para integrar IA nos seus produtos e serviços. Essa diferença tem alimentado maior volatilidade, sobretudo perante dúvidas sobre prazos de monetização, margens futuras e intensidade de capital.
Ainda assim, a queda não significa uma inversão definitiva da tendência tecnológica. O mercado continua a atribuir às grandes tecnológicas um papel central na cloud, IA, publicidade digital, software, chips e plataformas de consumo. Mas junho mostrou que a narrativa da IA já não basta, por si só, para sustentar valorizações elevadas. Os investidores querem agora sinais mais claros de retorno, disciplina financeira e crescimento efetivo das receitas associadas à nova vaga tecnológica.
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