A SpaceX fixou o preço da sua entrada em bolsa em 135 dólares por ação, numa operação que lhe permitirá captar 75 mil milhões de dólares e protagonizar o maior IPO de sempre. A empresa de Elon Musk vai vender 555,56 milhões de ações, atingindo uma avaliação de cerca de 1,77 biliões de dólares antes do início da negociação no Nasdaq, previsto para esta sexta-feira, sob o ticker SPCX.
A operação supera largamente o anterior recorde da Saudi Aramco, que em 2019 tinha captado 29,4 mil milhões de dólares na maior estreia bolsista até agora. No caso da SpaceX, a procura dos investidores excedeu a oferta disponível, refletindo o interesse do mercado numa empresa que combina lançamentos espaciais, conectividade por satélite, contratos governamentais, Starlink e ambições crescentes em infraestrutura de computação para inteligência artificial.
A estreia em bolsa da SpaceX representa mais do que uma operação financeira. Marca a chegada aos mercados públicos de uma empresa que se posiciona na convergência entre espaço, telecomunicações, defesa, internet por satélite e inteligência artificial. A tese apresentada aos investidores assenta na escala dos lançamentos, na expansão da Starlink e na possibilidade de transformar a infraestrutura espacial em suporte para novas formas de conectividade e computação.
A Starlink é um dos principais ativos da empresa. O serviço de internet por satélite permitiu à SpaceX criar uma fonte de receitas recorrentes e reforçar a sua presença em mercados onde a conectividade terrestre é limitada ou insuficiente. A capacidade de combinar rede orbital, escala industrial e serviço direto ao cliente tornou-se um dos argumentos centrais para justificar a avaliação atribuída à empresa.
A dimensão da operação também reflete o entusiasmo em torno da inteligência artificial. A SpaceX tem vindo a apresentar aos investidores planos para desenvolver capacidade de computação em órbita, incluindo testes de infraestrutura espacial para IA até ao final de 2027. Segundo a Reuters, a empresa pretende demonstrar a tecnologia associada a data centers orbitais e defende que a sua experiência com Starlink e Starship lhe dá uma posição diferenciada para explorar este mercado.
A ligação à IA ficou ainda mais visível com acordos recentes de capacidade computacional. A Reuters noticiou que a Google assinou um contrato de grande dimensão com a SpaceX para acesso a capacidade de computação, num sinal de que a empresa procura afirmar-se também como fornecedora de infraestrutura para workloads de IA. A operação reforça a leitura de que o mercado está a avaliar a SpaceX não apenas como empresa aeroespacial, mas como potencial plataforma de infraestrutura digital.
Apesar da procura elevada, a estreia levanta questões relevantes para investidores e reguladores. A Reuters assinala que a SpaceX não foi lucrativa no último ano e que a avaliação a coloca entre as maiores empresas cotadas dos Estados Unidos logo no momento da entrada em bolsa. Mas a empresa continua exposta a custos elevados de desenvolvimento, sobretudo associados ao Starship, à expansão da Starlink e a projetos de computação espacial intensivos em capital.
Elon Musk manterá uma posição dominante na governação da empresa após a entrada em bolsa. De acordo com a Reuters, o fundador e CEO deverá conservar cerca de 82% do poder de voto, o que garante continuidade estratégica, mas também concentra decisões relevantes num único acionista de controlo.
O IPO ocorre num momento em que outras empresas de IA se preparam para testar os mercados públicos. A OpenAI e a Anthropic já submeteram confidencialmente documentação preliminar para eventuais entradas em bolsa, criando uma nova fase de escrutínio sobre empresas que até agora cresceram sobretudo com capital privado, parcerias estratégicas e avaliações elevadas. A estreia da SpaceX poderá, por isso, funcionar como indicador para a próxima vaga de mega-IPOs tecnológicos.
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