A Comissão Europeia lançou, em conjunto com vários estados-membros, a Cybersecurity Skills Coalition European Digital Infrastructure Consortium (CSC-EDIC). Esta é uma nova estrutura destinada a acelerar a aquisição e aprofundamento de competências críticas em cibersegurança na força de trabalho europeia.
A iniciativa terá sede em Atenas e conta com Grécia, Chipre, Áustria, Croácia e Eslovénia como membros fundadores. A Chéquia e a Polónia aderiram como observadores, estando aberta a participação de outros estados-membros em condições consideradas justas e razoáveis. O lançamento ocorreu em Bruxelas, durante os Digital Skills EU Days 2026, e coincidiu com a adoção da decisão da Comissão que estabelece formalmente o CSC-EDIC.
A nova coligação terá um papel central na implementação da EU Cybersecurity Skills Academy, uma iniciativa emblemática lançada pela CE em 2023 para responder à falta de talento em cibersegurança na Europa. Desde a sua criação, a Academia já mobilizou 26 compromissos de líderes globais da indústria, que contribuíram para formar mais de 900 mil profissionais de cibersegurança. Foram ainda estabelecidas dez parcerias através da Industry-Academia Network.
Segundo Bruxelas, o CSC-EDIC vai operacionalizar a Academia através do desenvolvimento e entrega de programas de formação em cibersegurança adaptados às necessidades do mercado, da medição das lacunas de competências e da função de secretariado da Industry-Academia Network. Em colaboração com a ENISA, a coligação deverá também reforçar a resiliência cibernética em setores críticos, com destaque para a saúde.
Entre as áreas de atuação estão ainda o apoio a um sistema europeu de atestação de competências em cibersegurança, a criação de percursos de carreira e microcredenciais, e o envolvimento de parceiros industriais através de compromissos de formação. A CE sublinha que a iniciativa deverá ajudar a aproximar a oferta formativa das necessidades reais das empresas, administrações públicas e setores críticos.
O CSC-EDIC já recebeu uma subvenção de 3,1 milhões de euros do programa Digital Europe, destinada a apoiar a fase inicial de instalação e funcionamento da estrutura, incluindo governação, equipas e operações.
Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da Comissão Europeia para a Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, defendeu que a UE precisa de reforçar as competências técnicas necessárias para enfrentar os desafios de cibersegurança e garantir uma força de trabalho mais bem preparada. Para Bruxelas, a nova coligação representa um passo adicional no reforço da Cybersecurity Skills Academy e da resiliência digital europeia.
A criação do CSC-EDIC surge num contexto de pressão crescente sobre empresas, administrações públicas e infraestruturas críticas. Com a aplicação da NIS2 e o aumento da sofisticação das ameaças, a disponibilidade de talento especializado tornou-se uma condição essencial para cumprir requisitos regulatórios, responder a incidentes e proteger serviços digitais essenciais.
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