UE precisa de fazer mais esforços na transição digital

2021-11-17 Há progressos na digitalização em todos os estados-membros. Mas, apesar de se registar já alguma convergência, persiste o fosso entre os países da União Europeia que estão na vanguarda e os que têm as pontuações mais baixas continua a ser grande. Por isso, há que desenvolver esforços concertados para cumprir os objetivos de 2030, de acordo com o que foi definido na estratégia para a Década Digital na Europa. O apelo é da Comissão Europeia, na sequência da divulgação dos resultados do Digital Economy and Society Index 2021.
Este índice acompanha os progressos realizados nos estados-membros da UE em matéria de competitividade digital em quatro áreas distintas: capital humano, conectividade de banda larga, integração das tecnologias digitais pelas empresas e serviços públicos digitais. O relatório apresenta dados do primeiro ou segundo trimestre de 2020, fornecendo alguma visão dos principais desenvolvimentos na economia e sociedade digitais no 1º ano da pandemia. Alerta-se, no entanto, que o efeito da Covid-19 na utilização e fornecimento de serviços digitais e os resultados das políticas implementadas desde então serão mais visíveis na edição de 2022.
"A mensagem do Índice deste ano é positiva, pois todos os países da UE fizeram alguns progressos para se tornarem mais digitais e mais competitivos. Mas pode ser feito mais. Assim, estamos a trabalhar com os estados-membros para assegurar que sejam realizados investimentos chave, através do Mecanismo de Recuperação e Resiliência, para levar o melhor das oportunidades digitais a todos os cidadãos e empresas", diz em comunicado Margrethe Vestager, Vice-Presidente Executiva da CE.
"Estabelecer objetivos para 2030 foi um passo importante, mas agora temos de os cumprir. O DESI mostra progressos, mas também onde precisamos de melhorar coletivamente para assegurar que os cidadãos e as empresas europeias, em particular as PME, possam aceder e utilizar tecnologias de ponta que tornarão as suas vidas melhores, mais seguras e mais ecológicas", acrescenta o comissário para o Mercado Interno, Thierry Breton.
O DESI 2021 foi ajustado para refletir as principais iniciativas políticas, incluindo o Digital Compass 2030, que reflete a ambição da Europa em relação ao digital e estabelece uma visão para a transformação digital e objetivos concretos para 2030 nos quatro pontos cardeais: competências, infraestruturas, transformação digital das empresas e serviços públicos.
O Path to the Digital, um programa político apresentado em setembro de 2021, estabelece uma nova forma de governação com os estados-membros, através de um mecanismo de cooperação anual entre as instituições da UE e os estados-membros, para assegurar que estes alcancem conjuntamente as suas ambições.
No que respeita às competências digitais, 56% dos europeus possuem pelo menos competências digitais básicas. Os dados mostram um ligeiro aumento de especialistas TIC no emprego: em 2020, a UE tinha 8,4 milhões de especialistas TIC, em comparação com os 7,8 milhões um ano antes. Dado que 55% das empresas relataram dificuldades em recrutar especialistas TIC em 2020, esta falta de empregados com competências digitais avançadas é também um fator que contribui para a transformação digital mais lenta das empresas em muitos estados-membros.
O DESI mostra uma clara necessidade de aumentar as ofertas e oportunidades de formação, para se atingirem os objetivos da Década Digital em matéria de competências (80% da população deve possuir competências digitais básicas e 20 milhões de especialistas em TIC). Esperam-se melhorias significativas nos próximos anos, porque 17% dos investimentos no digital nos Planos de Recuperação e Resiliência que foram até agora adotados pelo Conselho são dedicados às competências digitais (aproximadamente 20 mil milhões de euros de um total de 117 mil milhões de euros).
A CE também publicou o painel de avaliação digital das mulheres, que confirma que ainda existe um fosso substancial entre géneros em termos de competências digitais especializadas. Só 19% dos especialistas TIC e cerca de um terço dos licenciados em ciência, tecnologia, engenharia e matemática são do sexo feminino.
No que respeita aos dados da conectividade, é clara uma melhoria nas redes de muito alta capacidade, que estão disponíveis em 59% dos lares na UE, acima dos 50% de há um ano atrás, embora ainda longe da cobertura universal das redes Gigabit, que é a meta da década digital para 2030. A cobertura rural aumentou de 22% em 2019 para 28% em 2020. Acresce que 25 estados-membros já atribuíram o espetro de 5G, quando um ano antes eram 16, sendo que estas redes já foram comercialmente lançadas em 13 estados-membros, cobrindo principalmente áreas urbanas. O comunicado da CE destaca que 11% dos Planos de Recuperação e Resiliência adotados pelo Conselho (aproximadamente 13 mil milhões de euros de um total de 117 mil milhões de euros), são dedicados à conectividade.
Já na integração de tecnologias digitais, o DESI 2021 mostra um grande aumento na utilização de tecnologias cloud (de 16% das empresas em 2018 para 26% em 2020). Mas são as grandes empresas que continuam a liderar a utilização das tecnologias digitais: utilizam muito mais frequentemente a partilha de informação eletrónica através do planeamento de recursos empresariais (ERP) e software cloud do que as PME. No entanto, apenas uma fração das empresas utiliza tecnologias digitais avançadas (14% grandes dados, 25% AI e 26% cloud).
Estes dados mostram que o estado actual da adoção das tecnologias digitais está longe dos objetivos da Década Digital. A ambição da UE para 2030 é que 90% das PME tenham pelo menos um nível básico de intensidade digital, face aos 60% em 2000, e que pelo menos 75% das empresas utilizem tecnologias digitais avançadas para 2030. Atualmente, apenas uma fração das empresas utiliza big data, mesmo em vários dos países com melhor desempenho, quando o objetivo é alcançar os 75%. Complementando os dados do DESI, um estudo sobre a contribuição das TIC para as ações de sustentabilidade ambiental das empresas da EU revela que 66% das empresas inquiridas afirmaram utilizar soluções TIC como forma de reduzir a sua pegada ambiental.
Por fim e no que respeita do governo eletrónico, os dados do DESI ainda não mostram uma melhoria acentuada nos serviços de e-gov, embora no primeiro ano da pandemia vários estados-membros tenham criado ou melhorado as suas plataformas digitais para fornecer mais serviços online. Tendo em conta que cerda de 37% dos investimentos no digital dos Planos de Recuperação e Resiliência (aproximadamente 43 mil milhões de euros de um total de 117 mil milhões de euros) se destinam aos serviços públicos digitais, a CE espera melhorias significativas nos próximos anos.

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