O custo da inação no processo de transformação digital na UE27 poderá ascender a 1,3 biliões de euros de perdas no PIB europeu até 2033. Sendo que a exclusão digital é um dos principais fatores desse prejuízo, levando as comunidades excluídas digitalmente a enfrentarem piores resultados na saúde, na educação e ao nível da confiança nas instituições. O alerta é do novo relatório da Vodafone, denominado "Ligar Comunidades: Combater a exclusão digital para uma Europa mais coesa e resiliente".
Este trabalho apresenta dados pan-europeus e estudos de caso que evidenciam os impactos económicos, sociais e políticos da exclusão digital. e considera que a exclusão digital na Europa não é apenas um problema marginal, mas sim uma crise crescente, que terá impactos económicos e sociais avultados. Além de aumentar as desigualdades e minar a coesão social e a estabilidade democrática.
O relatório sublinha que a conectividade e a literacia digital são tão fundamentais quanto a eletricidade, mas que há ainda milhões de europeus que permanecem excluídos. Estima-se que cerca de 44% dos cidadãos da UE não possuem ainda competências digitais básicas, e uma em cada cinco famílias em zonas remotas ainda carece de acesso a cobertura 5G. Esta exclusão manifesta-se de diversas formas, desde a falta de acesso a infraestruturas de qualidade e dispositivos, até à ausência de competências e confiança para participar plenamente na vida moderna.
Adianta-se ainda que o fosso digital é profundo e enraizado, afetando desproporcionalmente as zonas rurais, os idosos (apenas 28% dos indivíduos com 65-74 anos possuem competências digitais básicas, contra 70% dos jovens) e PME. Apenas 20% das PME europeias apresentam um elevado nível de digitalização, o que as torna menos produtivas e competitivas. Exemplos como a Grécia, onde apenas 53,4% das PME tinham um nível básico de intensidade digital, ilustram a fragilidade sistémica da Europa na era digital.
Para reverter esta tendência preocupante, o relatório aponta para a necessidade urgente dos líderes europeus agirem, propondo quatro pilares de intervenção. A começar por tornar a inclusão digital uma prioridade estratégica, integrando-a no centro das políticas públicas. Apoiar o desenvolvimento de competências digitais, investindo na formação e capacitação digital para todos os cidadãos, desde competências básicas até às mais avançadas (IA, dados, cibersegurança), com foco em combater a radicalização online e a violência digital, é outra das medidas. Assim como investir em infraestruturas de conectividade de elevada qualidade. O que passa por expandir o acesso a redes de alta velocidade, como o 5G SA, especialmente em zonas rurais. Acelerar a digitalização dos serviços públicos terá de ser outra aposta.
O relatório conclui que reverter as desigualdades digitais não é apenas um imperativo tecnológico, mas uma necessidade urgente para reconstruir oportunidades, legitimidade e coesão na Europa, num contexto de crescente incerteza económica e geopolítica.
Testando apetite dos mercados pela nova infraestrutura digital
Sempre sujeito a critérios claros, verificável e com medidas de mitigação
Acelerando ambição de transformar a Europa num continente líder em IA