A fusão entre a Vodafone UK e a Three UK está já a produzir benefícios mensuráveis para os consumidores, mostra um relatório independente da Frontier Economics divulgado pela Vodafone. Um ano depois da combinação dos dois negócios no Reino Unido, o estudo aponta para redes mais rápidas, maior cobertura, melhor capacidade e ausência de pressão ascendente sobre os preços.
A operação de fusão, que deu origem à VodafoneThree, foi apresentada pelas empresas como uma forma de ganhar escala para investir numa das redes 5G mais avançadas da Europa. Na altura do anúncio, Vodafone e Three comprometeram-se a investir 11 mil milhões de libras ao longo de dez anos na modernização e expansão da rede móvel britânica.
Segundo o relatório "The Vodafone-Three Merger: One Year On", citado pela Vodafone, os primeiros resultados do plano plurianual de rede mostram melhorias tangíveis no desempenho, capacidade e cobertura. A velocidade média de download em 5G aumentou 38%, com melhorias também na latência e na fiabilidade da rede.
A empresa refere ainda que mais de 16.500 quilómetros quadrados de zonas sem cobertura, ou com cobertura insuficiente, foram eliminados no primeiro ano. A área corresponde a pouco mais de metade do território da Bélgica e representa uma melhoria relevante para consumidores e empresas em regiões anteriormente mal servidas.
A integração técnica das redes avançou rapidamente. Foi possível implementar espectro em cerca de 15 mil sites, com as velocidades 4G a subirem em média 20% para mais de sete milhões de clientes. O tráfego de dados cresceu cerca de 25%, acima da média nacional britânica, sinalizando maior utilização da rede após o reforço de capacidade.
A Vodafone sublinha que estes ganhos ocorreram sem pressão ascendente sobre os preços e com concorrência retalhista ainda forte, incluindo por parte dos operadores móveis virtuais. Acrescenta que nenhum MVNO precisou de recorrer à oferta grossista de referência criada como remédio regulatório no âmbito da fusão.
A fusão tinha sido aprovada pela Competition and Markets Authority em dezembro de 2024, depois de uma investigação prolongada e sujeita a compromissos juridicamente vinculativos. A autoridade britânica exigiu garantias de investimento na rede 5G combinada, proteção temporária de algumas tarifas móveis e condições contratuais predefinidas para operadores móveis virtuais durante três anos.
Para Joakim Reiter, Chief External & Corporate Affairs Officer da Vodafone Group, a experiência britânica mostra que a consolidação pode gerar melhores resultados para os consumidores. O responsável defende que a fusão está a entregar melhores redes, maior cobertura e mais valor, preservando ao mesmo tempo a concorrência no mercado.
O grupo exemplifica com o caso VodafoneThree para defender uma revisão da forma como a Europa avalia as fusões no setor das telecomunicações. Num momento em que a União Europeia discute a modernização das regras de concorrência e a necessidade de reforçar investimento em redes, argumenta que os reguladores devem considerar não apenas preços, mas também qualidade, cobertura, resiliência, inovação e ciclos longos de investimento.
O relatório defende quatro prioridades para futuras avaliações de fusões na Europa: considerar a qualidade da rede a par do preço, avaliar benefícios e riscos em condições equivalentes, adotar uma visão de longo prazo alinhada com os ciclos reais de investimento e reconhecer a importância da escala nacional num setor intensivo em capital.
A posição é relevante para o debate europeu sobre consolidação das telecomunicações. Os operadores têm defendido que mercados demasiado fragmentados dificultam investimento em 5G, 5G standalone, fibra, edge, cloud e futuras redes 6G. Já os reguladores têm tradicionalmente receado que fusões entre operadores móveis reduzam concorrência e aumentem preços.
O caso britânico passa agora a ser usado pela Vodafone como prova de que escala e concorrência não são necessariamente incompatíveis. Para a empresa, a melhoria de desempenho da VodafoneThree mostra que uma entidade com maior dimensão pode investir mais depressa, integrar redes com maior eficiência e entregar benefícios aos clientes sem deteriorar a dinâmica competitiva.
Ainda assim, a avaliação completa da fusão dependerá dos resultados ao longo dos próximos anos. O investimento anunciado é plurianual, os compromissos regulatórios terão de continuar a ser cumpridos e o impacto sobre preços, concorrência grossista, inovação e qualidade de serviço terá de ser acompanhado para lá do primeiro ano.
Para o setor europeu das telecomunicações, o relatório surge num momento estratégico. A pressão para modernizar redes é crescente, mas a rentabilidade dos operadores continua limitada. A VodafoneThree torna-se, assim, um caso de teste: se os ganhos de cobertura, velocidade e capacidade se mantiverem, poderá reforçar os argumentos a favor de uma abordagem regulatória mais aberta à consolidação.
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