Cerca de 45% dos consumidores em Portugal utilizam habitualmente ferramentas de IA generativa, com o ChatGPT a assumir uma posição de liderança clara, sendo usado regularmente por 45,1% dos inquiridos e dominando o top of mind, com 60,7% das menções espontâneas. E a confiança alterou-se, com os influenciadores a perderem peso, enquanto a validação técnica e algorítmica é agora valorizada. A conclusão é do estudo "O Consumidor Impulsionado pela IA: Manual de sobrevivência para marcas", desenvolvido pela LLYC e pela Appinio
Entre os mais jovens, a adoção é ainda mais expressiva: 65,9% dos portugueses entre os 18 e os 24 anos utilizam IA de forma habitual, confirmando que esta tecnologia já faz parte da sua rotina diária e está a redefinir a forma como pesquisam, comparam e tomam decisões.
Fica ainda claro que, ao contrário da tendência global, onde o uso da IA está fortemente associado a tarefas técnicas como programação, em Portugal a principal área de adoção é a saúde e o bem-estar, com 38,7% dos consumidores a utilizarem IA neste contexto. Resolver dúvidas de saúde, interpretar sintomas ou procurar informação médica são já usos quotidianos para 32,1% dos portugueses.
Outros setores com elevada adoção incluem: a Educação e Formação - 36,1%; Tecnologia e Eletrónica - 34%; Cultura e Entretenimento - 32,9%; Alimentação e Grande Consumo - 31,7%; e Viagens e Turismo - 29,9%. O estudo adianta que este padrão revela um consumidor português pragmático, que recorre à IA sobretudo para ganhar eficiência, esclarecer dúvidas e tomar decisões mais informadas, em vez de a utilizar apenas para entretenimento ou experimentação.
O trabalho foi baseado em 700 entrevistas representativas da população portuguesa e revela ainda que a IA já ultrapassou canais históricos como fóruns (15%) e influenciadores (9,6%) como ponto inicial de pesquisa: 23,6% dos consumidores iniciam hoje a sua jornada diretamente em assistentes de IA.
"A IA tornou-se o novo front-office das marcas. Não informa apenas: filtra, sintetiza e, em muitos casos, decide. Se uma marca não está bem representada nos modelos de linguagem, simplesmente deixa de existir quando o consumidor delega a decisão", afirma Cristina Girão, Diretora de Área de Marketing Solutions da LLYC.
Um dos dados mais disruptivos do estudo é o colapso da confiança nos influenciadores. Em Portugal, este grupo apresenta um índice de confiança negativo de -67,4%, enquanto a credibilidade se desloca para especialistas, validação técnica e sistemas algorítmicos.
A IA emerge assim como um novo "atalho de confiança": rápida, contextual e percebida como imparcial. Ainda assim, o consumidor português mantém uma postura crítica - 60,2% dos utilizadores habituais de ChatGPT afirmam confirmar a informação com outras fontes, posicionando a IA como um agente de validação cada vez mais relevante, mas ainda complementar.
O estudo defende a necessidade de uma nova disciplina: a LLMO - Large Language Model Optimization. Mais do que otimizar para motores de busca, trata-se de treinar a forma como os modelos de linguagem entendem, descrevem e recomendam as marcas. Conteúdo estruturado, reputação digital, presença em fontes fiáveis e coerência semântica tornam-se fatores críticos para garantir elegibilidade algorítmica - isto é, ser