Adoção da IA traz 61 mil milhões de euros à economia nacional até 2030

2024-02-01

A manter-se a atual taxa de adoção da IA em Portugal, o impacto económico total estimado da tecnologia (em VAB) chegará, até 2030, aos 61 mil milhões de euros. Mas, para tirar partido de todo o potencial da IA, Portugal terá de resolver três questões críticas: criar um ambiente favorável à inovação; colmatar o défice de competências digitais no país; e garantir que as empresas de todas as dimensões têm acesso às tecnologias mais recentes. A conclusão é de e um estudo da Amazon Web Services (AWS).
Denominado ‘Desbloquear as Ambições da Europa sobre Inteligência Artificial (IA) na Década Digital', este é um estudo independente da Strand Partners encomendado pela AWS. Conclui que cerca de 35% das empresas em Portugal já adotou a tecnologia de IA, um crescimento de 25% desde 2022.
As empresas aumentaram os seus investimentos em tecnologia digital em 61% desde setembro de 2022 - dez pontos percentuais acima da média europeia (51%). 87% das empresas já ouviu falar de tecnologias de IA e 35% conhece bem estas tecnologias. E 71% afirma que as dificuldades em contratar RH com boas competências digitais estão a atrasar o seu crescimento - em comparação com uma média europeia de 44%. 
O relatório revela ainda que uma percentagem significativa - 60% - dos cidadãos portugueses considera que a IA pode ser fundamental para resolver problemas globais, tais como as alterações climáticas.
O impacto económico positivo da IA nas empresas portuguesas é claro:  70% das empresas que recorre à IA refere um aumento das receitas e da produtividade.  No entanto, a utilização da IA e de outras tecnologias digitais está mais concentrada nas empresas de maior dimensão (45% em comparação a apenas 32% das PME).
A perspetiva de Portugal relativamente aos poderes transformadores da IA reflete a dos seus homólogos europeus. Mais de metade (64%) das empresas considera que a IA vai transformar completamente, ou em grande parte, os seus setores. 77% afirma que a tecnologia digital desempenha um papel importante ou mesmo essencial na concretização dos seus objetivos de crescimento a cinco anos. 
O estudo indica ainda que as empresas portuguesas ultrapassaram as suas congéneres europeias, aumentando no último ano o seu investimento no digital em 61% - mais dez pontos percentuais do que a média europeia de 51%. Neste investimento no digital, a computação na cloud é decisiva. A adoção da cloud entre as empresas portuguesas cresceu para 27% em 2023, sendo que a maioria (81%) já ouviu falar da tecnologia, um pouco inferior à média europeia de 85%. Referem que o principal benefício é o apoio a práticas de trabalho à distância ou flexíveis - 60% das empresas portuguesas assinalou este benefício específico, em comparação com 50% em toda a Europa.
Neste último ponto, a AWS refere que o papel de empresas como o grupo, que entre 2017 e 2022 investiu mais de 21 mil milhões de euros no futuro económico e digital da Europa, através de infraestruturas periféricas e de computação da cloud, é essencial.
Para uma adoção plena das tecnologias, as empresas referem com maior frequência a falta de competências digitais, sendo que apenas uma minoria (19%) considera fácil recrutar recursos humanos com as competências digitais adequadas.  Estes dados confirmam-se no facto de 71% afirmar que as dificuldades em contratar pessoas com boas competências digitais estão a travar o crescimento da sua atividade, quando a média europeia é de 44% . 
Com a Comissão Europeia a ficar oito milhões aquém do seu objetivo, de ter pelo menos, 20 milhões de pessoas empregadas como especialistas em TIC até 2030, resolver esta lacuna de competências é fundamental para a democratização eficaz da tecnologia de IA em toda a Europa.
Tendo em conta este contexto, não é de surpreender que mais de um terço (34%) dos cidadãos em idade ativa considere que a sua falta de competências digitais constitui um obstáculo às oportunidades de emprego. Por outro lado, 74% das empresas portuguesas prevê que, em apenas cinco anos, as competências digitais ultrapassarão as qualificações universitárias tradicionais em termos de importância para a maioria das funções.
"Portugal depara-se com uma oportunidade sem precedentes. As empresas reconhecem as vantagens da IA para o seu crescimento e produtividade, enquanto as pessoas reconhecem o seu poder de transformar a forma como vivem e abordam os maiores desafios da sociedade. Para alcançar todo o potencial da IA, é essencial que Portugal disponibilize o apoio correto à estratégia das competências digitais e à segurança regulamentar, de modo a apoiar as ambições das empresas e dos cidadãos", afirma Suzana Curic, a nova Country Leader da AWS em Portugal e Espanha. 
Em Portugal, a AWS, através de parcerias públicas e privadas, disponibiliza programas de ensino e formação, como o AWS re/Start, o AWS Academy e o AWS Educate, e está globalmente empenhada em formar 29 milhões de pessoas, na área de tecnologias da cloud, até 2025.  O AWS re/Start, por exemplo, trabalha com organizações locais e oferece o programa em mais de 180 cidades e 60 países em todo o mundo. No geral, este programa possibilita oportunidades de entrevista de emprego a mais de 98% dos seus graduados.
O estudo independente da Strand Partners encomendado pela Amazon Web Services (AWS) tem por base uma amostra nacional de 1.000 empresas e 1.000 cidadãos (dados recolhidos em 2023). Este estudo surge no seguimento do relatório de 2022, conduzido pela Public First.
 


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