As Agendas Mobilizadoras criaram uma nova base de cooperação entre empresas, universidades, politécnicos, CoLABs, centros tecnológicos e centros de investigação. Mas o verdadeiro teste começa agora: transformar protótipos, conhecimento e projetos colaborativos em produtos comercializáveis, exportações, emprego qualificado e competitividade empresarial. O alerta vem de Pedro Dominguinhos, presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR.
Na sequência da sua participação no III Encontro das Agendas Mobilizadoras, organizado pelo IAPMEI, o responsável sublinha, numa publicação no LinkedIn, que este instrumento foi um dos mais inovadores lançados em Portugal, não apenas pelo investimento mobilizado, mas sobretudo pela capacidade de aproximar ciência e empresas em torno de objetivos comuns.
Segundo Pedro Dominguinhos, a aposta "valeu a pena". As Agendas permitiram desenvolver centenas de novos produtos, processos e serviços, criar novas cadeias de valor, mobilizar investimento industrial e consolidar uma cultura de cooperação entre o sistema científico e tecnológico e o tecido empresarial.
Mas o responsável alerta que o sucesso das Agendas não pode ser medido apenas pelo número de protótipos, patentes ou projetos concluídos. A avaliação decisiva terá de passar por indicadores mais exigentes: quantos produtos chegam efetivamente ao mercado, quantos conquistam clientes internacionais, quantas empresas aumentam exportações e quanto emprego qualificado é criado.
Esta é a fase mais difícil do processo. Depois da investigação, desenvolvimento e demonstração, as empresas têm agora de industrializar soluções, aumentar capacidade produtiva, certificar produtos, proteger propriedade intelectual, internacionalizar e disputar mercados. É neste ponto que a inovação deixa de ser apenas resultado técnico e passa a gerar impacto económico.
Para Pedro Dominguinhos, as Agendas Mobilizadoras não devem terminar com o PRR. O país precisa de uma segunda geração de políticas públicas capaz de acompanhar todo o ciclo da inovação, desde a investigação até à chegada ao mercado. Sem esse acompanhamento, parte do conhecimento produzido corre o risco de não se traduzir em escala empresarial, produtividade e criação de valor.
O debate ganha relevância num momento em que a EU prepara o próximo Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034 e discute novos instrumentos para reforçar a competitividade. Entre eles está o futuro Fundo Europeu para a Competitividade, que deverá funcionar com gestão centralizada pela CE e colocar empresas, universidades e centros tecnológicos a concorrer diretamente à escala europeia.
Este novo enquadramento aumentará a exigência para Portugal já que, para captar financiamento europeu competitivo não bastará apresentar boas ideias ou projetos fragmentados. Será necessário demonstrar escala, massa crítica, capacidade de cooperação, orientação internacional e potencial de mercado.
As Agendas Mobilizadoras podem ser uma vantagem neste contexto. Criaram consórcios mais maduros, aproximaram entidades que antes trabalhavam de forma mais dispersa e mostraram que Portugal consegue desenvolver soluções em áreas estratégicas. O desafio passa agora por transformar essa capacidade coletiva em vantagem competitiva sustentável.
A mensagem de Pedro Dominguinhos é, por isso, menos sobre o encerramento do PRR e mais sobre o que vem a seguir. Concluir bem os projetos é essencial, mas insuficiente. O legado das Agendas será medido pela capacidade de Portugal usar o conhecimento, as redes de cooperação e a experiência acumulada para competir melhor nos próximos instrumentos europeus, aumentar exportações e criar valor económico.
Ligando tecnologia, impacto social, saúde, educação e formação de futuros profissionais
Considerando estas áreas essenciais para a transformação da economia