O setor das comunicações enfrenta desafios relevantes. A procura por dados cresce, a exigência de qualidade aumenta e as redes tornam-se numa infraestrutura crítica para empresas, administração pública, serviços digitais e novas aplicações de IA. Este cenário implica mais investimento em capacidade, segurança, cobertura indoor, redundância e resiliência, num momento em que os operadores têm alertado para pressão sobre receitas e necessidade de maior previsibilidade regulatória.
O diagnóstico é da ANACOM, no seu relatório "O Sector das Comunicações 2025", uma análise anual à evolução das comunicações eletrónicas e dos serviços postais em Portugal. Segundo a informação disponibilizada pelo regulador, os dados de 2025 mostram um setor marcado por forte utilização de serviços digitais e por uma procura crescente de conectividade.
No final do ano, os pacotes de serviços mantinham um peso central no mercado residencial, com nove em cada dez famílias a subscreverem serviços em pacote. Em 2025, as receitas destes serviços atingiram 2,3 mil milhões de euros, representando 56,1% do total das receitas retalhistas das comunicações eletrónicas.
O crescimento do tráfego de dados é um dos sinais mais claros da transformação do mercado. No quarto trimestre de 2025, o tráfego de acesso à Internet em banda larga móvel aumentou 45,2% face ao período homólogo, depois de já ter registado subidas expressivas nos trimestres anteriores. No terceiro trimestre, por exemplo, o aumento tinha sido de 37,2%.
A evolução confirma a centralidade da Internet móvel, impulsionada pela maior utilização de aplicações digitais, vídeo, cloud, serviços empresariais e novas soluções assentes em inteligência artificial. No terceiro trimestre de 2025, a ANACOM indicava que 5,3 milhões de utilizadores já acediam à Internet móvel através de 5G, o que correspondia a 39,2% dos utilizadores de serviços móveis e a 47,3% dos utilizadores de Internet móvel.
A cobertura de fibra e das redes de nova geração surge também como um dos pontos fortes do mercado nacional. A ANACOM assinala que o relatório anual mostra uma forte cobertura de fibra, refletindo o investimento realizado nos últimos anos pelos operadores e a importância destas redes para a conectividade residencial, empresarial e industrial.
Nos serviços postais, o ano manteve a tendência de transformação estrutural do setor. No quarto trimestre de 2025, as receitas totais dos serviços postais, excluindo o tráfego internacional de entrada, atingiram cerca de 198,7 milhões de euros. A evolução do mercado continua marcada pela quebra da correspondência tradicional e pelo peso crescente das encomendas, associado ao comércio eletrónico.
A publicação do relatório ocorre também num contexto de alargamento das responsabilidades da ANACOM, que passou a desempenhar novas funções no ecossistema digital, incluindo competências associadas à aplicação de regulamentos europeus em áreas como serviços digitais e inteligência artificial. O regulador tem vindo a estudar novas fontes de financiamento ligadas a estas atribuições, num quadro em que o setor regulado se tornou mais amplo e mais complexo.
O retrato de 2025 mostra um setor essencial para a economia digital, mas confrontado com uma equação mais exigente: responder ao crescimento do tráfego, garantir qualidade e resiliência, financiar novas redes, acompanhar a expansão do 5G e preparar a próxima fase tecnológica. Para Portugal, a questão deixou de ser apenas assegurar cobertura. Passa agora por garantir capacidade, investimento e sustentabilidade para que as comunicações continuem a suportar a transformação digital do país.
Pacotes com quatro e cinco serviços reforçam liderança nas comunicações