A Chave Móvel Digital ultrapassou os cinco milhões de utilizadores, depois de registar quase 1,5 milhões de novas adesões nos primeiros seis meses de 2026. Os dados foram divulgados por Manuel Dias, presidente da ARTE - Agência para a Reforma Tecnológica do Estado, a entidade responsável pela identidade digital pública em Portugal.
Desde a criação do sistema, foram realizadas mais de 152 milhões de autenticações através da Chave Móvel Digital. Só em 2025 terão sido efetuadas mais de 19,4 milhões de assinaturas digitais, um volume mais de 500 vezes superior ao registado em 2018, de acordo com os indicadores divulgados pelo responsável.
A evolução representa uma aceleração face ao final de 2024, quando existiam cerca de quatro milhões de Chaves Móveis Digitais ativas, das quais aproximadamente 2,3 milhões tinham também a função de assinatura ativada.
Os cinco milhões referem-se ao universo de pessoas que aderiram ao meio de identidade digital. O indicador não corresponde necessariamente ao número de cidadãos que o utilizam todos os meses, pelo que deve ser complementado pelos dados de autenticações, assinaturas e operações realizadas.
A Chave Móvel Digital associa um número de telemóvel ao documento de identificação do cidadão e permite confirmar a identidade em portais públicos e privados através de um código PIN e de um mecanismo adicional de validação.
No caso dos cidadãos portugueses, pode ficar associada ao Cartão de Cidadão ou ao Bilhete de Identidade. Os cidadãos estrangeiros podem aderir através do passaporte, título ou cartão de residência. A ferramenta pode ser ativada na aplicação gov.pt, no portal Autenticação.gov, através do Portal das Finanças ou presencialmente num balcão de atendimento, consoante a documentação e o método escolhidos.
A solução dispensa a utilização permanente de leitores físicos do Cartão de Cidadão e de credenciais diferentes para cada serviço. Está disponível em entidades públicas como a Autoridade Tributária, a Segurança Social, o Serviço Nacional de Saúde e os serviços de registo, mas também em organizações privadas dos setores bancário, energético, das telecomunicações, da saúde e do turismo.
Entre as operações possíveis estão o pagamento de impostos, a consulta de informação pública, a realização de pedidos administrativos, a abertura remota de contas bancárias e o acesso à Carteira de Documentos e à Carteira Digital da Empresa. Esta última foi integrada na aplicação gov.pt em janeiro e disponibiliza inicialmente documentos como o Cartão Eletrónico da Empresa, as declarações de situação tributária e contributiva e o Registo Central do Beneficiário Efetivo. O acesso é realizado através da Chave Móvel Digital.
A Chave Móvel Digital permite também assinar documentos eletrónicos, desde que a respetiva função de assinatura tenha sido ativada. A assinatura utiliza certificados digitais reconhecidos na União Europeia e possui o mesmo valor jurídico de uma assinatura manuscrita. Pode ser aplicada a documentos através do navegador, da aplicação gov.pt ou do software Autenticação.gov para computador.
A diferença entre o número total de utilizadores e o universo que dispõe de assinatura ativa continua a ser relevante. No final de 2024, pouco mais de metade das Chaves Móveis Digitais ativas tinha esta funcionalidade disponível, segundo o relatório de atividades da ARTE. O crescimento para 19,4 milhões de assinaturas num ano indica, contudo, uma utilização cada vez mais frequente da ferramenta na formalização de contratos, declarações e procedimentos administrativos.
A expansão ocorre num contexto de concentração dos serviços digitais públicos no portal e na aplicação gov.pt. A aplicação já conta com mais de 2,2 milhões de utilizadores e integra mais de 30 documentos oficiais em formato digital, incluindo o Cartão de Cidadão e a carta de condução.
A Chave Móvel Digital funciona como uma das principais portas de acesso a este ecossistema, ao assegurar a identificação, a autenticação e a assinatura remota dos cidadãos. O crescimento da adesão reduz parte da dependência dos canais presenciais, mas não elimina os desafios de inclusão digital. A expansão dos serviços exige alternativas para pessoas sem smartphone, com reduzidas competências digitais ou dificuldades de acesso, além de mecanismos de recuperação de credenciais e apoio presencial.
A escala alcançada aumenta também as exigências de cibersegurança, disponibilidade e proteção de dados. Uma interrupção ou comprometimento do sistema pode afetar simultaneamente vários serviços públicos e privados, tornando a identidade digital uma infraestrutura crítica para o funcionamento do Estado e da economia.
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