A MEO fechou o primeiro trimestre de 2026 com receitas de 703 milhões de euros, mais 0,9% do que no mesmo período do ano anterior, mas com uma queda de 7,3% no EBITDA, para 226 milhões de euros. Os resultados refletem um contexto de maior pressão competitiva, de aumento de custos e de redução da receita média por cliente de telecomunicações, a que se juntaram os impactos operacionais associados à depressão Kristin.
Segundo a MEO, a evolução do EBITDA foi penalizada por efeitos associados à Altice Labs e pela "perda progressiva" do negócio de subcontratação da rede móvel. Este último fator está ligado à transição gradual dos clientes da antiga Nowo para a rede móvel da Digi, depois do operador romena ter comprado a Nowo em 2024. Mesmo excluindo estes efeitos, o EBITDA teria recuado 4,3%, com a redução da receita média por cliente e ao aumento de custos, nomeadamente pela pressão inflacionista sobre serviços de terceiros.
Em comunicado, a CEO da MEO, Ana Figueiredo enquadra os resultados num ciclo de transformação da empresa, que está a evoluir "de operador de telecomunicações para uma plataforma integrada de serviços digitais". Sublinha que, apesar da pressão competitiva e da disrupção no mercado, a MEO entregou receitas de 703 milhões de euros, sustentadas na diversificação do modelo de negócio e na procura de novas fontes de valor.
O segmento de consumo foi o principal contributo para o crescimento. As receitas desta área atingiram 380 milhões de euros, mais 1,7% em termos homólogos. A MEO terminou março com cerca de 4,5 milhões de serviços fixos ativos, mais 1%, e a base de clientes móveis pós-pagos cresceu 4,3%, com mais 133 mil clientes.
A diversificação para a energia continua a ganhar peso. As receitas da MEO Energia cresceram quase 42% no trimestre, com a base de clientes a subir de 169 mil famílias no final de março de 2025 para 236 mil no final de março de 2026. Esta evolução é atribuída ao desempenho comercial, a ofertas integradas de telecomunicações e energia e à estratégia de cross-selling dentro do ecossistema MEO.
Nos serviços empresariais, as receitas ficaram nos 323 milhões de euros, em linha com o primeiro trimestre de 2025. Ainda assim, a MEO assinala que, excluindo o impacto da Altice Labs e da quebra da subcontratação de rede móvel, esta área teria crescido 3,4%.
O investimento aumentou 5,5%, para 106 milhões de euros, refletindo a continuidade da expansão e modernização das redes e infraestruturas da operadora. Em 2025, a MEO tinha investido 403 milhões de euros e registado receitas anuais de 2.811 milhões de euros, com EBITDA de 947 milhões, resultados que a empresa apresentou como base para acelerar a transformação em 2026.
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