Portugal está a registar progressos consistentes no âmbito da Década Digital 2030 e mostra mesmo uma base sólida de infraestruturas e melhorias visíveis nos serviços públicos digitais. Contudo, ainda tem trabalho por fazer em áreas críticas como as competências digitais e adoção de tecnologias avançadas, como a inteligência artificial, pelas empresas nacionais.
A conclusão é do State of the Digital Decade 2025 Report, da Comissão Europeia, que indica ainda que o país já implementou um roteiro nacional com 157 medidas para acelerar a transformação digital até 2030, com um orçamento de 2,15 mil milhões de euros, equivalente a cerca de 0,75% do PIB.
Assim, Portugal destaca-se em serviços públicos digitais, em particular no acesso a registos de saúde eletrónicos (eHealth), onde tem mostrado um desempenho acima da média europeia. Também beneficia de infraestruturas de conectividade robustas, com redes 5G e gigabit em expansão, apoiando a digitalização de serviços e a competitividade.
Em linha com outros dados europeus, Portugal apresenta níveis de competências digitais básicas superiores à média da UE, com cerca de 56% da população a possuir competências digitais básicas, comparado com a média europeia de 55,6%. Além disso, tem uma percentagem de especialistas em TIC na ordem dos 5,2%, ligeiramente acima da média europeia, o que reflete um mercado de trabalho tecnológico mais dinâmico em comparação com alguns pares na União.
Apesar destes avanços, o relatório identifica desafios em áreas estratégicas. Entre os principais estão competências digitais mais avançadas e a adoção de inteligência artificial pelas empresas portuguesas, que ainda se encontra abaixo das expectativas para atingir as metas da Década Digital.
Este ponto torna-se particularmente relevante face às necessidades futuras de uma economia cada vez mais orientada por tecnologias digitais e competências especializadas, incluindo cibersegurança e dados. A falta de formação estruturada em competências digitais básicas continua a ser uma barreira, apesar de iniciativas nacionais e europeias para melhorar a inclusão digital.
O relatório vem numa altura em que entidades europeias têm destacado Portugal como um exemplo de progresso digital em áreas específicas. Em 2025, o país subiu no ranking de Governo Electrónico da UE, passando da 14.ª para a 8.ª posição, superando a média comunitária em várias categorias de serviços públicos digitais e interoperabilidade.
Entre as práticas nacionais elogiadas estão programas de formação em cibersegurança, desenvolvimento de modelos de linguagem adaptados ao português e melhorias nos portais de serviços públicos que facilitam a vida dos cidadãos e das empresas.
O State of the Digital Decade 2025 sublinha que, apesar dos avanços, a União Europeia e Portugal ainda estão longe de alcançar os seus objetivos para 2030, em áreas como redes 5G stand-alone, adoção generalizada de IA, competências avançadas e soberania tecnológica. A necessidade de mais investimento público e privado, bem como políticas de formação contínua e estratégias de inclusão digital, é um dos principais apelos do relatório para assegurar que a digitalização europeia é abrangente e sustentável.