Numa altura em que o país está a ser procurado por investidores estrangeiros para a construção de gigafábricas de inteligência artificial (IA), o Governo vai avançar com a adoção de uma estratégia nacional de data centers, com especial foco na IA. Em paralelo, vai criar também uma estratégia nacional para a cloud soberana. O anúncio foi feito pelo ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias esta segunda-feira, no Parlamento, projeto que reiterou no evento ‘Lisbon Law and Tech 2025', organizado pelo Instituto de Conhecimento da Abreu Advogados.
"Estamos a olhar de forma integrada através de uma estratégia nacional, com zonas pré-licenciadas para data centers, garantindo rapidez, segurança e sustentabilidade", referiu o governante este evento, onde avançou que os maiores operadores mundiais, "fundamentais para o fabrico dos GPUs e para a entrega da tecnologia necessária para a inteligência artificial, estão hoje todos presentes em Portugal, garantindo o fornecimento que o país precisa".
Além do posicionamento estratégico do país, que tem a ver com a sua localização geográfica e com a amarração dos cabos submarinos, considera que "Portugal tem tido uma atitude muito favorável a este investimento. Devo dizer que o Governo está totalmente comprometido com ele, com o apoio do Bandc de Fomento e da AICEP. Hoje estamos em condições de assegurar investimentos da maior relevância em matéria de construção de gigafactories de IA. E estamos também com um concurso junto da CE para o financiamento destes projetos".
Adianta ainda que "o problema destes projetos não é o financiamento. Temos encontrado financiamento mais do que abundante. O que é preciso é realmente criar as condições e garantir que respondemos em tempo e a tempo e horas com as decisões públicas, nomeadamente no licenciamento que estas unidades precisam".
Reiterou ainda o lançamento de uma estratégia nacional para a cloud soberana e a construção de uma infraestrutura nacional, articulada com outras áreas governativas, "porque a soberania não é uma abstração". E, considerando que é uma condição essencial para garantir uma transformação tecnológica coerente em todo o aparelho do Estado, será criada uma força de intervenção dentro da ARTE - Agência para a Reforma Tecnológica do Estado, para garantir a interoperabilidade e a articulação com outras áreas governativas.
O projeto passa também por lançar uma plataforma de apoio à gestão do estado, "que permitirá aos governantes aceder à melhor informação disponível e tomar decisões baseadas num modelo nacional de classificação de dados. Será o verdadeiro cérebro da AP". E se a tecnologia vai resolver muitos dos problemas, como a análise documental de tomada de decisões de decisões informadas e dos dados que são necessários para essa tomada de decisão, assim como uma maior facilidade no contacto do Estado em pessoas e empresas, o ministro destaca a importância da dimensão humana.
"O coração desta transformação são as pessoas e é com elas que queremos contar. Por isso lançámos o novo pacto de competências digitais com uma meta ambiciosa: capacitar 2 milhões de portugueses até 2030, em competências digitais básicas e avançadas", referiu no evento.
Com uma aposta forte na IA, o Executivo vai ainda criar um centro de excelência/incubadora de IA na AP, assim como sandboxes regulatórias (ambientes experimentais e controlados que permitem que startups e empresas testem novas tecnologias), procedendo a uma revisão das atuais zonas livres tecnológicas e garantindo a melhor capacidade de IA. A meta é "tirar partido dos enormes benefícios que a IA nos pode trazer".