O Executivo está a definir com entidades do ecossistema tecnológico um protocolo para acelerar a entrada de investigadores e profissionais estrangeiros em áreas críticas da inteligência artificial. A medida integra a Agenda Nacional de IA e será acompanhada por uma plataforma destinada a aproximar talento, empresas, startups e Administração Pública. Até final do ano, deverá estar em funcionamento um regime acelerado de vistos para investigadores e profissionais estrangeiros altamente qualificados em IA.
Designada ‘AI Fast Track', a medida está a ser preparada pelos ministérios da Reforma do Estado e da Presidência, liderados por Gonçalo Matias e António Leitão Amaro, respetivamente. O Executivo está a trabalhar num protocolo com entidades de referência do ecossistema para definir a operacionalização do novo canal.
O objetivo é reduzir os tempos de recrutamento internacional em funções para as quais Portugal não disponha de talento suficiente, reforçando a capacidade das empresas, centros de investigação, startups e organismos públicos para desenvolver e adotar soluções de IA.
A iniciativa integra o eixo de Talento e Competências da Agenda Nacional de Inteligência Artificial, que estabelece como prioridade formar, atrair, mobilizar e reter profissionais à escala necessária para sustentar a competitividade do país. A Agenda reúne 32 iniciativas e prevê um investimento superior a 400 milhões de euros até 2030.
O novo mecanismo deverá seguir uma lógica semelhante à do Protocolo de Cooperação para a Migração Laboral Regulada, criado em abril de 2025 pelo Governo, AIMA, serviços consulares, IEFP e confederações patronais. Esse protocolo não criou uma nova categoria de visto nem reduziu os requisitos legais de entrada. Estabeleceu antes um procedimento coordenado e mais célere para os trabalhadores estrangeiros com contrato, atribuindo às entidades empregadoras maior responsabilidade pelo recrutamento e integração.
Segundo os dados transmitidos pelo Governo ao ECO, o regime recebeu 5.183 submissões e permitiu captar 3.328 trabalhadores até abril de 2026, sobretudo para a agricultura e construção. Os processos são apresentados como concluídos em até 20 dias quando cumprem os requisitos definidos.
No mecanismo já existente, empresas e associações têm de demonstrar idoneidade e assegurar contrato de trabalho, formação profissional, aprendizagem da língua portuguesa e acesso a alojamento adequado. Também assumem obrigações de prevenção da exploração laboral e do tráfico de pessoas.
Não está ainda esclarecido se todas estas condições serão replicadas no AI Fast Track, que entidades poderão aderir ao protocolo ou quais serão exatamente as profissões e qualificações consideradas prioritárias.
A atração de especialistas estrangeiros procura responder a uma das limitações da estratégia portuguesa de IA: a disponibilidade de profissionais com competências avançadas em investigação, engenharia, dados, modelos fundacionais, cibersegurança e infraestrutura computacional.
A Agenda Nacional de IA considera o talento uma condição necessária para aumentar a adoção tecnológica nas empresas e na Administração Pública. A estratégia está organizada em quatro eixos: Infraestrutura e Dados, Inovação e Adoção, Talento e Competências, e Responsabilidade e Ética.
O recurso a profissionais internacionais poderá acelerar projetos no curto prazo, mas não substitui a formação e retenção de talento nacional. A eficácia da medida dependerá também da capacidade de Portugal para oferecer salários competitivos, progressão profissional, acesso a investigação e condições de instalação. O Governo tem reconhecido a necessidade de criar um canal específico para talento altamente qualificado, mantendo os vistos de procura de trabalho sem contrato ou promessa apenas para candidatos com qualificações elevadas.
Em paralelo, o IAPMEI está a liderar o desenvolvimento de uma plataforma nacional destinada a ligar profissionais de inteligência artificial a empresas, startups e organismos públicos com necessidades de recrutamento. O desenho da solução começou na primeira reunião do Grupo Técnico de Inteligência Artificial da Rede de Simplificação e Tecnologias do Estado, realizada a 15 de julho. O trabalho envolve também a Agência para a Reforma Tecnológica do Estado, a Agência para a Investigação e Inovação e a Startup Portugal.
A iniciativa surge identificada na Agenda como plataforma nacional "Oportunidades em IA", com lançamento previsto para o segundo semestre de 2026. O projeto pretende aproximar estudantes, investigadores e outros especialistas das entidades nacionais que procuram estas competências. Ainda não são conhecidos o modelo de gestão, os critérios de acesso, o número de oportunidades esperado ou a forma como a plataforma será articulada com o IEFP, universidades e centros de investigação.
Banco Português de Fomento lidera preparação do projeto ibérico de larga escala
Novo hub arranca com 40 especialistas e foco em IA e segurança quântica
No âmbito de três test beds e de uma Agenda Mobilizadora financiadas pelo PRR