A família Balsemão está a negociar a venda de uma posição maioritária na Impresa SGPS com a MediaForEurope (MFE), o grupo fundado por Berlusconi. Esta possibilidade foi avançada pela primeira vez oficialmente na apresentação das contas semestrais, depois de há uns dias ser conhecido o processo de negociação, para fazer face à complexa situação financeira da dona da SIC e do Expresso. Para conseguir reequilibrar as contas, precisará de uma verba da ordem dos 80 milhões de euros.
Até hoje, o grupo de Pinto Balsemão sempre tem garantido que não ia abdicar do controlo do projeto. Mas nas contas semestrais comunicadas ao mercado ao final da passada terça-feira à tarde, a Impresa SGPS confirmou as negociações e admitiu a possibilidade de venda de uma posição acionista "com efeitos de controlo".
A Impresa já tinha confirmado a 27 de setembro as negociações: "face às notícias divulgadas na comunicação social, a Impresa informa que lhe foi comunicado pelo seu acionista maioritário [a Impreger] que este se encontra a desenvolver contactos, em exclusividade, com o grupo MFE com vista à avaliação de potenciais operações societárias para a aquisição de uma participação relevante na Impresa".
No primeiro semestre do ano, a Impresa registou um prejuízo de 5,1 milhões de euros. E tem vindo a tentar financiar-se, nomeadamente com a venda do edifício-sede a um fundo do BPI por 37 milhões de euros, operação que acabou por falhar. Agora, poderá passar para as mãos do grupo de media que foi fundado por Berlusconi, hoje um dos maiores operadores de tv da Europa.
No comunicado à CMVM, adianta que "fomos informados pelo acionista maioritário [Impreger] que se encontram em curso negociações, em exclusividade, com o Grupo MFE, tendo em vista a avaliação de potenciais operações societárias, nas quais não se encontra afastada a possibilidade de aquisição, por aquele, de uma participação relevante (direta ou indireta) para efeitos de controlo da Impresa, sendo que, a esta data, não existe qualquer acordo vinculativo para o efeito".
A Impresa é controlada pela família Balsemão através da Impreger, que detém mais de 50% do capital da holding do grupo de media. Admite-se que os italianos poderão ficar com 75% do capital da Impreger, o que obrigará ao lançamento de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a sociedade cotada, a Impresa SGPS.
No ano passado, a Impresa registou um prejuízo de 66,2 milhões de euros, na sequência de uma imparidade de 60,7 milhões de euros relacionada com os segmentos da televisão e da subsidiária Infoportugal. Já no primeiro semestre deste ano apresentou perdas de 5,1 milhões de euros, um aumento de 27,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, com as receitas consolidadas a recuarem 0,8%, para 85,9 milhões. A dívida líquida também cresceu para 148,2 milhões de euros, um aumento de 3,8% face ao final de junho de 2024.
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