A Impresa reduziu a dívida líquida em 18,6 milhões de euros no espaço de um ano, para 129,6 milhões, e aumentou as receitas e a rentabilidade operacional no primeiro semestre de 2026. A dona da SIC e do Expresso continuou, contudo, a apresentar prejuízos, com um resultado líquido negativo de 3,4 milhões de euros. Até final do ano, a aposta passa pela redução do endividamento, sendo que o desempenho dependerá da evolução do mercado publicitário, da capacidade de manter o controlo de custos e do contributo de eventos, conteúdos e formatos capazes de atrair audiências e investimento comercial.
No primeiro semestre, o prejuízo registado representa uma melhoria de 32,4%, ou cerca de 1,6 milhões de euros, face aos 5,1 milhões negativos registados no primeiro semestre de 2025. Excluindo os custos não recorrentes, o resultado líquido teria sido negativo em 900 mil euros, uma recuperação de 2,8 milhões em termos homólogos.
As receitas consolidadas cresceram 2,5%, para 88 milhões de euros, enquanto o EBITDA recorrente aumentou 51,6%, para 6,6 milhões. A respetiva margem subiu de 5% para 7,5%, uma melhoria de 2,4 pontos percentuais. O EBITDA reportado, que inclui 1,1 milhões de euros de custos de reestruturação e 1,5 milhões associados ao aumento de capital, aumentou 37,8%, para quatro milhões de euros.
Apesar da evolução operacional, os custos financeiros continuaram a penalizar as contas. Estes encargos diminuíram cerca de 20%, mas ainda atingiram 4,8 milhões de euros no semestre, um valor superior ao EBITDA reportado pelo grupo.
A dívida líquida diminuiu 13%, dos 148,2 milhões de euros registados em junho de 2025 para 129,6 milhões em junho deste ano. A Impresa atribui a evolução à geração de caixa operacional, à gestão da tesouraria e ao aumento de capital subscrito pela MediaForEurope. A entrada do grupo italiano, que passou a deter 32,9% da Impresa mediante um investimento de cerca de 17,3 milhões de euros, reforçou os capitais próprios e tornou a MFE um dos principais acionistas, a par da Impreger, sociedade da família Balsemão.
O grupo não detalhou ainda eventuais sinergias operacionais ou comerciais com a MFE. A nova estrutura acionista abre, no entanto, a possibilidade de cooperação em conteúdos, publicidade, tecnologia, distribuição e negociação de direitos, áreas onde a escala europeia é cada vez mais relevante.
O segmento de televisão foi o principal motor dos resultados. As receitas cresceram 3,6%, para 76,4 milhões de euros, apoiadas pela publicidade associada ao Mundial de Futebol e ao Rock in Rio Lisboa, assim como pela distribuição de canais e pela venda de conteúdos.
O EBITDA recorrente da televisão avançou 68,7%, para 6,2 milhões de euros, e a margem passou de 5% para 8,1%. A evolução beneficiou também de uma redução de 1,4% nos custos operacionais, no âmbito das medidas de eficiência do projeto Impresa 2028.
A SIC terminou o semestre com uma média de 14,6% de audiência e o conjunto dos canais do grupo alcançou uma quota de 19,2%. A SIC Notícias aumentou o share em 19%, para 2,5%.
No digital, os sites e aplicações da Impresa registaram uma média mensal de 4,1 milhões de visitantes únicos. A plataforma Opto contabilizou 30,9 milhões de visualizações durante o semestre, enquanto os podcasts do grupo ultrapassaram 24 milhões de downloads.
Refere-se que a evolução da televisão compensou a contração do segmento editorial. As receitas de publishing diminuíram 5,6%, para 10,3 milhões de euros, num contexto que o grupo classifica como desafiante para o mercado da imprensa. A redução de 3,3% nos custos operacionais permitiu manter um EBITDA recorrente positivo de 100 mil euros, mas abaixo dos 600 mil euros registados no período homólogo. A margem caiu de 5,3% para 0,9%.
A diferença entre o desempenho da televisão e do publishing reforça a dependência da Impresa face ao negócio audiovisual, enquanto evidencia a dificuldade estrutural da imprensa em compensar a redução da circulação e da publicidade tradicional com receitas digitais.
Para o segundo semestre, antecipa-se um reforço da geração de caixa, a disciplina na alocação de capital e a otimização da estrutura de financiamento como prioridade, como refere no comunicado de resultados Francisco Pedro Balsemão, presidente executivo da Impresa.
A redução do endividamento será determinante para diminuir os encargos financeiros e permitir que a melhoria operacional se traduza de forma mais consistente nos resultados líquidos. Apesar da queda registada no último ano, a dívida líquida continua a representar aproximadamente 20 vezes o EBITDA recorrente do primeiro semestre, embora esta comparação não considere a sazonalidade anual do negócio.
O desempenho até ao final do exercício dependerá também da evolução do mercado publicitário, da capacidade de manter o controlo de custos e do contributo de eventos, conteúdos e formatos capazes de atrair audiências e investimento comercial.
No publishing, o desafio passa por aumentar as receitas de subscrição e os modelos digitais pagos, sem perder escala de audiência. Na televisão, a Impresa terá de conciliar a recuperação das margens com a pressão competitiva das plataformas globais de streaming, dos canais digitais e das novas formas de consumo de conteúdos.
Banco Português de Fomento lidera preparação do projeto ibérico de larga escala
Novo regime de vistos acelerados deverá avançar até ao final do ano
Novo hub arranca com 40 especialistas e foco em IA e segurança quântica
No âmbito de três test beds e de uma Agenda Mobilizadora financiadas pelo PRR