Interesse dos portugueses em notícias está em queda

2022-06-23 O interesse pelas notícias diminuiu, no mercado nacional, entre 2021 e 2022, cerca de 17,5%. E o recuo foi transversal a toda a sociedade, embora tenha sido mais acentuado em quem tem menos rendimentos e escolaridade. Os dados do Reuters Digital News Report 2022 revelam que 51,1% dos inquiridos dizem ter interesse nos conteúdos noticiosos em geral, quando um ano antes eram 68,6%.
Já a proporção de inquiridos que dizem não ter interesse em notícias mais do que duplicou, aumentando em 5,5 pontos percentuais face ao ano anterior, passando de 5,0% para 10,5%. Esta quebra de interesse "poderá estar relacionada com a excessiva dupla-tematização da agenda noticiosa em torno dos temas pandemia e eleições legislativas 2022".
Este estudo teve a coordenação científica internacional do Instituto da Reuters para o Estudo do Jornalismo, com coordenação do apoio à recolha em Portugal do OberCom - Observatório da Comunicação. A autoria é de Gustavo Cardoso, Miguel Paisana e Ana Pinto-Martinho. O trabalho baseou-se em dados recolhidos entre 14 de janeiro e 10 de fevereiro, antes da invasão da Ucrânia pela Rússia.
Quanto ao pagamento por notícias online, apenas 12% dos inquiridos pelo Reuters Digital News Report afirmam terem pagado para aceder a conteúdos noticiosos digitais em Portugal, menos cinco pontos percentuais face à média global de 17%. "Tal como observado em anos anteriores, o pagamento por notícias continua a tardar em ganhar dimensão no mercado nacional", adianta o documento.
Neste segmento de negócio, "a forma de pagamento mais frequente é a subscrição de um serviço noticioso de forma contínua", com 32,4%, "seguido do pagamento por notícias de forma indireta, através da subscrição de outro serviço (27%) e o acesso a notícias digitais através de um pacote que inclui notícias em papel", como por exemplo códigos em jornais impressos.
Os dados do inquérito indicam que o título mais subscrito em formato digital pelos portugueses é o Expresso (28,8%), seguido do Público (22,9%), Correio da Manhã (21,2%) e Jornal de Notícias (17,8%).
Já a utilização de redes sociais aumentou em todas as principais plataformas, exceto o Messenger (menos 3,2 pontos percentuais) e Twitter (menos 5,2 pp). Quanto ao consumo de notícias nas redes sociais, aumentou em todas as plataformas, menos no TikTok (-2,0 pp) e no Twitter (-4,3 pp). Refere-se ainda que o Facebook é utilizado, em geral, por três quartos dos portugueses que utilizam a internet (75,9%) e para o consumo de notícias por cerca de metade (48,7%), seguindo-se, respetivamente, o YouTube (67,7% uso geral e 24,5% para consumo de notícias) e WhatsApp (67% e 24,4%, respetivamente).
Entre 2021 e 2022, a plataforma que mais aumentou a utilização foi o Instagram (4,7 pp dos 48,3% em 2021 para 53,0% em 2022, no uso geral, e 5,6 pontos percentuais dos 14,4 para os 20,0% no consumo de notícias).
Relativamente ao Facebook, desde 2015 "perdeu quase 20 pontos percentuais (18,4 pp.) de consumo de notícias" em Portugal, mas as redes sociais do grupo Meta (do qual o Facebook faz parte), como o WhatsApp ou Instagram, "aumentaram de forma significativa a sua presença enquanto veículos de distribuição de notícias".
Em termos agregados, 56,9% dos portugueses que utilizam a internet subscrevem pelo menos um serviço de streaming de vídeo, 34,6% um serviço de música digital, 29,8% um pacote desportivo (TV + digital) e 21,4% afirma pagar por audiolivros ou podcasts, com as notícias a serem claramente o tipo de conteúdos digitais menos popular. O que revela, segundo os autores do estudo, "uma fraca adaptação das marcas mass-mediáticas à economia digital e às estratégias de 'marketing' que tenham em conta a fraca cultura de consumo pago por notícias em Portugal".
O Reuters Digital News Report 2022, 11.º relatório anual do Reuters Institut for the Study of Journalism, foi feito a partir de inquéritos a mais de 90 mil utilizadores da Internet em 46 países, incluindo Portugal.

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