As gigantes tecnológicas estão a pôr em causa o pluralismo e a diversidade dos media, tendo em conta o seu grande poder nos conteúdos, com sistemas algorítmicos que geram dependência e filtram os conteúdos de forma opaca. E os conteúdos gerados por inteligência artificial são outra das preocupações. Esta é a visão da presidente da Entidade Reguladora da Comunicação (ERC), Helena Sousa.
Citada pela Agência Lusa, a responsável, que esteve na conferência "A Comunicação Social e o Futuro Digital", organizada pela ERC, adiantou ainda que "os mecanismos de seleção e direcionamento de conteúdos" usados pelas empresas são eficazes a captar audiências e publicidade. Acresce que as pessoas acedem cada vez mais a notícias através de meios fora dos próprios órgãos de comunicação social, de motores de busca e redes sociais a notificações e plataformas agregadoras, o que coloca "a liberdade em territórios de opacidade, aos quais seria urgente, como já fazem outros países, dedicar enorme atenção".
Já os conteúdos gerados por inteligência artificial são outra das preocupações, pois aumentam a "incerteza sobre o que é real", distorcendo a realidade e alimentando "sentimentos de medo e de insegurança perante o futuro". A presidente da ERC adiantou ainda que a desinformação tem efeitos transversais em todas as esferas da vida social. E lembrou que o novo quadro regulatório europeu surge precisamente do reconhecimento dos "riscos sistémicos" com impacto nos direitos fundamentais, na liberdade de expressão e no pluralismo dos meios de comunicação social.