Os CTT aumentaram as receitas no primeiro semestre do ano, impulsionados pelas encomendas e pela consolidação da Cacesa e da DHL Parcel Portugal. No entanto, os lucros recuaram, afetados pela pressão nas atividades de desalfandegamento internacional, afetadas pelas alterações regulatórias e pela reorganização dos fluxos de comércio eletrónico de baixo valor. Até final do ano, as prioridades passam por normalizar a rentabilidade do comércio eletrónico, captar as sinergias da DHL Parcel Portugal, otimizar o portefólio de investimentos e manter a disciplina na utilização de capital.
Os CTT registaram um resultado líquido atribuível aos acionistas de 12,9 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, menos 41,6% do que no período homólogo, apesar de as receitas terem aumentado 12,9%, para 674,3 milhões de euros. O EBITDA recuou 3%, para 84,1 milhões de euros.
Esta evolução resulta de tendências distintas entre os negócios. As receitas continuaram a beneficiar do crescimento das encomendas e da incorporação das empresas adquiridas, mas a atividade de desalfandegamento internacional sofreu uma forte volatilidade, com impacto nas margens e na rentabilidade consolidada.
As Soluções de Comércio Eletrónico geraram receitas de 343,6 milhões de euros, mais 29,6%, e passaram a representar 51% do total do grupo. O crescimento inclui a consolidação da Cacesa e da DHL Parcel Portugal. Esta última foi adquirida em maio e passou a integrar as contas dos CTT a partir desse mês. Sem o efeito das aquisições, a evolução seria mais moderada.
O segmento de Correio e Serviços representou 38,1% das receitas, com 256,6 milhões de euros, menos 2,7%. O Banco CTT contribuiu com 74,1 milhões, uma subida de 8,1%.
O EBIT recorrente das Soluções de Comércio Eletrónico caiu 20,9%, para 16,7 milhões de euros. A descida ocorreu apesar do aumento das receitas e reflete sobretudo a evolução das atividades da Cacesa que não estão diretamente ligadas à entrega de expresso e encomendas. A empresa espanhola foi penalizada por alterações regulatórias e pela reorganização das rotas utilizadas nas encomendas internacionais de baixo valor. Estas mudanças reduziram os volumes e a rentabilidade de algumas operações de desalfandegamento. Os CTT atribuem a pressão a um conjunto amplo de alterações regulatórias, comerciais e operacionais.
O grupo considera que o tráfego de expresso e encomendas continuará a crescer, embora admita volatilidade no curto prazo associada às alterações nas regras aduaneiras e nos circuitos internacionais.
Excluindo as atividades mais voláteis de desalfandegamento, os CTT registaram uma melhoria no negócio principal de expresso e encomendas. No segundo trimestre, as receitas das Soluções de Comércio Eletrónico atingiram 179,4 milhões de euros, mais 12,7%. O EBIT recorrente desta atividade foi de 10,8 milhões, menos 29,6%, mas o grupo indica que o negócio diretamente relacionado com distribuição e encomendas manteve uma evolução positiva.
A empresa está a executar um plano para reduzir custos, otimizar as redes ibéricas e captar sinergias da integração da DHL Parcel Portugal. Os estudos iniciais apontam para um potencial de 17,5 milhões de euros de ganhos anuais de EBIT, a concretizar progressivamente até 2029. As principais oportunidades identificadas estão na venda cruzada de serviços, consolidação de operações em Portugal e Espanha, redução de custos de transporte e integração das estruturas comerciais e tecnológicas.
Os CTT destacam o crescimento da colocação de produtos de poupança, das comunicações empresariais e de alguns serviços de proximidade. O negócio tradicional de correio continua, contudo, sujeito à redução estrutural dos volumes físicos. A empresa pretende compensar esta tendência através da atualização de preços, da otimização das operações e da expansão de serviços prestados através da rede de lojas.
O Banco CTT alcançou receitas de 74,1 milhões de euros, mais 8,1%, enquanto o EBIT recorrente diminuiu 3,5%, para 10,5 milhões. O volume de negócios continuou a aumentar, impulsionado pelos depósitos, pelo crédito e pela atividade de pagamentos. Os custos cresceram devido ao investimento na expansão comercial, na digitalização e no desenvolvimento de novas ofertas.
O grupo mantém em avaliação as opções estratégicas para o banco, depois de ter recebido uma manifestação de interesse não vinculativa. Não foram divulgados detalhes sobre o potencial comprador nem sobre uma eventual estrutura de transação.
O grupo postal aumentou ainda de 30 para 40 milhões de euros o programa de recompra de ações próprias. A operação poderá abranger até 7,5 milhões de títulos, que serão posteriormente amortizados, reduzindo o capital social. A empresa considera que o balanço permite conciliar esta remuneração dos acionistas com o financiamento dos investimentos e da estratégia de crescimento.
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