A Media Capital fechou 2025 com um resultado líquido de 3,7 milhões de euros, uma queda de cerca de 60% face aos 9,26 milhões registados no ano anterior. O exercício foi mercado pela pressão nos resultados operacionais, mas também por uma melhoria da posição financeira, já que o grupo de media conseguiu também reduzir a sua dívida e aumentar o cash-flow operacional.
De acordo com a informação divulgada à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), os rendimentos operacionais recuaram 3%, para 172,36 milhões de euros, enquanto o EBITDA diminuiu 37%, fixando-se em 14,18 milhões. A margem EBITDA caiu de 12,8% para 8,2%, refletindo um aumento dos custos operacionais.
Apesar da quebra nos indicadores, o grupo destaca uma evolução positiva numa base ajustada, excluindo efeitos não recorrentes. Neste cenário, as receitas cresceram 3%, impulsionadas por um aumento de 6% na publicidade, que atingiu 111,32 milhões de euros. O EBITDA ajustado subiu 8%, para 18,1 milhões, e o resultado líquido ajustado ascendeu a 6 milhões de euros, mais 72% em termos homólogos.
Um dos indicadores com evolução mais expressiva foi o cash-flow operacional, que aumentou 42%, permitindo reduzir a dívida líquida para 28,7 milhões de euros. A Media Capital apresenta uma autonomia financeira de 50% e um rácio dívida líquida/EBITDA ajustado de 1,59 vezes, sinalizando uma melhoria da estrutura financeira.
O grupo manteve o investimento em modernização tecnológica e digitalização. O CAPEX, de 10,8 milhões de euros, foi direcionado para infraestrutura, inovação e soluções de inteligência artificial, numa estratégia alinhada com a evolução do consumo de conteúdos e a crescente relevância das plataformas digitais.
Por segmentos, a área de Televisão, Digital e Entretenimento registou um crescimento de 7% nas receitas, suportado pela publicidade e pela monetização de conteúdos, embora o EBITDA tenha recuado 12% devido ao aumento dos custos. Já a produção audiovisual apresentou uma quebra de 10% nas receitas, influenciada pela calendarização de projetos, mas conseguiu melhorar a rentabilidade, com um aumento de 36% no EBITDA.
Em termos de audiência, o universo de canais TVI manteve a liderança com 18,8% de quota de mercado, enquanto a CNN Portugal foi o canal de informação mais visto em 304 dias do ano. No digital, o grupo ultrapassou os 4 milhões de utilizadores únicos mensais e registou cerca de 2,5 mil milhões de pageviews, mais 18% face a 2024.
O ano ficou ainda marcado por movimentos estratégicos de expansão no portefólio de media, incluindo a aquisição do jornal Nascer do Sol e, já em 2026, da empresa dona das marcas Polígrafo e Viral. A Media Capital mantém também planos de internacionalização, nomeadamente com a ambição de expandir a CNN para o mercado espanhol.
Para 2026, o grupo antecipa um contexto macroeconómico de crescimento moderado, mantendo o foco na consolidação da liderança no mercado nacional, no reforço da presença internacional e no desenvolvimento de conteúdos diferenciadores, incluindo projetos internacionais na área de produção e cenografia.