A NOS registou um resultado líquido consolidado de 128,1 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, mais 13,7% do que no mesmo período do ano anterior. Mas as receitas consolidadas aumentaram apenas 1%, para 918,5 milhões de euros, enquanto o EBITDA avançou 2,3%, para 409,3 milhões. A pressão sentida no negócio de telecomunicações de consumo acabou por ser compensada pelo crescimento da base de serviços, o desempenho do segmento empresarial e a expansão da atividade de tecnologias de informação.
Contabilizando apenas o segundo trimestre, a receita manteve-se praticamente estável, nos 458,3 milhões de euros. O EBITDA cresceu 1,5%, para 206 milhões, e a margem subiu 0,7 pontos percentuais, para 44,9%. O resultado líquido trimestral aumentou 34,1%, para 77,5 milhões de euros.
No total, o grupo terminou junho com 10,96 milhões de serviços, mais 229,2 mil do que um ano antes, o que corresponde a um crescimento de 2,1%. O segmento móvel foi o principal responsável pela expansão, com mais 206,1 mil serviços, ou 3,7%, face a junho de 2025. A evolução da base de clientes permitiu atenuar o impacto da forte concorrência e da pressão sobre as receitas do negócio de consumo.
A empresa considera que a evolução confirma a confiança dos clientes na qualidade das redes e das soluções, embora reconheça que o mercado de consumo permanece "excecionalmente competitivo". O segmento empresarial apresentou uma evolução mais favorável, tanto nas telecomunicações como nos serviços de TI. Este último segmento, que reúne a atividade própria da NOS e a Claranet Portugal, apresentou o crescimento mais elevado entre as áreas de negócio.
Assim, as receitas de TI aumentaram 13,4%, para 103,5 milhões de euros. A evolução foi apoiada pelos serviços tecnológicos e pelo crescimento de dois dígitos na venda de equipamentos e licenças. Destaca-se que a integração da Claranet reforçou a oferta da NOS em áreas como cloud, cibersegurança, workplace, aplicações e gestão de infraestruturas. O negócio de TI assume assim um peso crescente na estratégia empresarial da operadora, embora as telecomunicações continuem a representar a maior parcela das receitas.
Já as receitas do segmento de telecomunicações mantiveram-se em linha com o período homólogo, nos 782,2 milhões de euros. Dentro desta área, o negócio empresarial cresceu 3%, contrastando com a pressão registada no segmento de consumo.
As receitas de cinema e audiovisuais aumentaram 3,2%, para 50,5 milhões de euros. O desempenho beneficiou de um maior número de filmes com resultados positivos nas salas, embora o crescimento tenha sido mais moderado do que no primeiro semestre de 2025. O contributo deste segmento mantém-se sujeito à volatilidade do calendário de estreias e ao desempenho de um número relativamente reduzido de grandes produções cinematográficas.
No primeiro semestre, a NOS reduziu o investimento, à medida que se aproxima do final do ciclo de expansão das redes de telecomunicações. No segundo trimestre, o CAPEX, excluindo contratos de locação, diminuiu 8,2%, para 84,2 milhões de euros. O free cash flow trimestral mais do que duplicou, atingindo 83,3 milhões de euros. O aumento de 45,4 milhões beneficiou da melhoria operacional, da redução do investimento e de efeitos extraordinários de 20,8 milhões relacionados com a alienação de torres e processos judiciais.
Miguel Almeida, presidente executivo da NOS, destacou a geração de caixa como o indicador mais relevante do trimestre, considerando que a redução estrutural do investimento confirma a entrada numa nova fase de maturidade das infraestruturas. Destaca ainda a conclusão recente da expansão da sua rede de fibra aos 308 concelhos portugueses, após um investimento superior a 326 milhões de euros ao longo de dez anos. A cobertura chega agora a mais de 92% dos lares nacionais.
Para a segunda metade do ano, a NOS antecipa a manutenção da disciplina financeira, da eficiência operacional e da conversão crescente dos resultados em fluxo de caixa. A evolução dependerá da capacidade de manter o crescimento do negócio empresarial e de TI, compensar a pressão competitiva no consumo e continuar a reduzir o investimento sem comprometer a qualidade das redes.
Sendo que a inteligência artificial continuará também a assumir um papel relevante no controlo de custos. Segundo a NOS, a utilização transversal de IA já permitiu melhorar processos e obter ganhos de produtividade em áreas consideradas críticas.
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