O investimento das empresas portuguesas em investigação e desenvolvimento (I&D) atingiu os 3,162 mil milhões de euros em 2024, um crescimento de 11% face ao ano anterior, o equivalente a 1,09% do Produto Interno Bruto (PIB). A NOS voltou a liderar o ranking nacional, com um investimento de 111,6 milhões de euros, mais 15% que em 2023. Os dados constam do Inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico Nacional (IPCTN24), divulgado pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), que traça a evolução do esforço de inovação no tecido empresarial português.
A liderança da NOS consolida uma trajetória consistente de aposta em inovação. Desde 2020, o operador investiu cerca de 420 milhões de euros nesta área e reforçou, em 2024, os seus recursos humanos dedicados a I&D, que passaram para 355 profissionais. Segundo Jorge Graça, administrador responsável pela inovação, a presença contínua no topo do ranking reflete uma estratégia sustentada e de longo prazo, com foco em áreas como inteligência artificial, ciência de dados, cloud, redes de nova geração, cibersegurança e novos materiais.
No ranking dos maiores investidores seguem-se o grupo EDP, com 80,2 milhões de euros, o grupo Sonae (78,7 milhões) e a MEO (75,9 milhões). Entre os principais investidores destacam-se ainda empresas dos setores farmacêutico e financeiro, como a Bial, a Caixa Geral de Depósitos e o BCP. A análise evidencia uma concentração relevante do investimento em setores como tecnologias de informação, energia e distribuição, sobretudo entre empresas com investimentos superiores a um milhão de euros em I&D.
Do ponto de vista geográfico, a Grande Lisboa concentra 40% do investimento empresarial em inovação, seguida da região Norte, com 36%. Em termos de recursos humanos, os dados mostram uma participação feminina de 33% e uma predominância de funções de investigação (67%), seguidas de funções técnicas (27%). Ao nível de qualificações, 5% dos trabalhadores têm doutoramento, 32% mestrado e 46% licenciatura.
Os dados da DGEEC confirmam uma tendência de crescimento do investimento privado em inovação, num contexto em que a capacidade de desenvolver tecnologia própria e integrar conhecimento avançado se torna determinante para a competitividade das empresas e para o posicionamento do país na economia digital.