A reposição das redes móveis e fixas afetadas pelas tempestades Kristin e Leonardo já ultrapassa os 90% nas zonas mais atingidas, mas a normalização integral dos serviços de comunicações deverá estender-se até ao final de fevereiro. A destruição de infraestruturas elétricas e de telecomunicações, aliada às dificuldades de acesso e a instabilidade energética persistente, continua a condicionar os trabalhos no terreno.
A NOS indica na sua página no Linkedin que já recuperou 94% do serviço móvel e 92% da rede fixa. Avança ainda que a cobertura móvel foi restabelecida em todas as sedes de concelho mais afetadas, designadamente nos distritos de Leiria, Coimbra e Santarém. Mas sublinha que a reposição da rede fixa depende do restabelecimento da energia elétrica nas habitações e instalações dos clientes. Para mitigar falhas prolongadas, mantém ativas soluções de contingência, como ligações por satélite, instalação e abastecimento diário de geradores e mobilização de unidades móveis provisórias, em articulação com a Proteção Civil e autoridades locais.
Por sua vez, a Vodafone, no seu fórum sobre o andamento da reposição da rede, indica que a rede móvel já foi reativada em todos os concelhos mais impactados, com 85% das 987 estações inicialmente sem serviço novamente operacionais, o que permite a cobertura a cerca de 93% da população nas áreas afetadas. No caso da rede fixa, a taxa de recuperação situa-se nos 94%, igualmente dependente da reposição do fornecimento elétrico. Estima que a grande maioria dos serviços esteja normalizada até ao final do mês, embora admita que em algumas zonas poderá ser necessário reconstruir integralmente segmentos de rede. A empresa mantém cerca de 800 técnicos no terreno e ativou mais de 30 soluções móveis de emergência.
Já a MEO, que também tem uma página sobre a disponibilidade dos serviços, reporta um grau de disponibilidade de 94% na rede móvel e 91% na rede fixa, com previsão de atingir 95% de cobertura móvel até 23 de fevereiro e igual nível na rede fixa até 28 de fevereiro. O operador tem cerca de 1.500 técnicos mobilizados e disponibiliza atualização concelho a concelho sobre o estado dos serviços. Tal como as restantes empresas, indica que a reposição plena depende da estabilização da rede elétrica e da reconstrução de infraestruturas danificadas.
Segundo dados recentes da e-Redes, permanecem ainda dezenas de milhares de consumidores sem eletricidade nas zonas mais afetadas, sobretudo na região Centro, o que condiciona diretamente a operacionalidade das redes de telecomunicações. Os operadores referem que, mesmo após intervenções técnicas, ocorrem quebras adicionais de serviço devido a novos cortes de fibra ou falhas de energia.
Recorde-se que a ANACOM recomendou a implementação temporária de roaming nacional entre operadores para mitigar falhas localizadas, proposta que foi recebida com reservas pelas empresas. NOS, Vodafone e MEO consideram que a elevada destruição transversal das infraestruturas reduz a eficácia da medida e defendem que a prioridade deve continuar a ser a reposição estrutural da rede. O regulador recomendou ainda simplificação de procedimentos para instalação de cabos em condutas e postes, reforço da comunicação através de rádios locais e mecanismos específicos de apoio a utilizadores vulneráveis.
Além disso, a ANACOM propôs ao Governo medidas extraordinárias de proteção dos consumidores, incluindo a não suspensão de serviços por falta de pagamento durante três meses nas zonas afetadas e a possibilidade de acordos de pagamento sem penalizações, iniciativas que aguardam decisão governamental.
Ocupa 5ª posição no ranking nacional, logo a seguir a várias universidades