Pinto Luz quer data centers “produtivos” para país não ser “a lixeira da Europa”

2026-07-14

Portugal deve atrair investimento em data centers, mas apenas se estas infraestruturas tiverem impacto real na economia nacional. O país não pode transformar-se na "lixeira da Europa" dos centros de dados, recebendo projetos de elevado consumo energético sem criação de valor suficiente para o território. O alerta foi feito pelo ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz.
A posição foi assumida na abertura da Conferência .IA, onde o ministro sublinhou que os data centers são hoje essenciais para a inteligência artificial e para a economia digital, mas representam também um "consumo energético absolutamente astronómico". Por isso, defendeu que Portugal deve ser seletivo na forma como acolhe estes investimentos.
"Queremos absorver, atrair investimento. Mas não queremos ser quase a lixeira da Europa", afirmou Miguel Pinto Luz, citado pelo ECO. Para o ministro, o país deve garantir que os centros de dados instalados em território nacional são "produtivos" e têm "tração" sobre a realidade de desenvolvimento portuguesa.
O alerta surge num momento em que Portugal procura posicionar-se como destino europeu para infraestruturas digitais críticas. Com o Plano Nacional de Centros de Dados, o Governo simplificar licenciamentos, coordenar melhor a relação com investidores e criar condições para atrair projetos de maior escala. O plano assume os centros de dados como ativos estratégicos para a digitalização da economia, atração de investimento e soberania digital.
Mas a mensagem de Pinto Luz introduz uma nuance relevante: não basta instalar capacidade. É preciso que os projetos tenham externalidades positivas, criem emprego qualificado, reforcem cadeias de valor locais, contribuam para a economia digital e suportem capacidade computacional útil para empresas, Estado, investigação e inovação.
A preocupação energética é central. A expansão da IA está a aumentar rapidamente a procura por data centers, chips, energia, refrigeração e conectividade. Muitos destes projetos exigem níveis de consumo elétrico comparáveis aos de grandes unidades industriais, o que tem gerado oposição em vários países e regiões, sobretudo quando os benefícios locais são considerados insuficientes face à pressão sobre redes elétricas, água e território.
Miguel Pinto Luz sublinhou que "não há IA sem infraestrutura". A IA depende de cabos submarinos, redes de comunicações de última geração, fibra ótica, data centers e gigafábricas de computação. Portugal tem vantagens relevantes neste campo, desde a posição atlântica à rede de cabos submarinos, passando pela cobertura de fibra e pela ambição de atrair novas infraestruturas de computação.
Na sua intervenção, o ministro alertou ainda para a necessidade de medir com rigor os ganhos de produtividade associados à IA. Pinto Luz reconheceu que há casos em que a adoção de novas tecnologias não se traduz automaticamente em maior produtividade e que a vontade de experimentar o novo não deve dispensar avaliação objetiva dos resultados.
O governante abordou também o setor das comunicações eletrónicas, defendendo que a regulação europeia tem dificultado a criação de massa crítica num setor intensivo em capital. Para Pinto Luz, os investimentos desta dimensão precisam de ser remunerados de forma adequada para garantir empresas saudáveis e capacidade de continuar a financiar redes e infraestruturas críticas.
Para o governante, a questão já não é apenas atrair investimento, mas decidir que tipo de investimento Portugal quer acolher. Num contexto de corrida global à IA, os países que oferecem energia, conectividade e licenciamento rápido tornam-se mais atrativos. Mas o desafio português será garantir que essa atratividade se traduz em valor acrescentado, soberania tecnológica e desenvolvimento económico.
 


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