A Europa tem de reforçar a sua capacidade tecnológica, proteger a sua autonomia estratégica e manter-se fiel aos valores democráticos que definem o projeto europeu. E com uma responsabilidade dupla: ser mais forte na capacidade de investir, produzir, proteger e regular; e ser fiel aos princípios estruturantes, como a liberdade, a democracia, o primado da lei, a dignidade da pessoa humana e a solidariedade entre os povos. Sendo que Portugal deve assumir um papel ativo nesse caminho.
Esta foi uma das principais mensagens enviadas pelo Presidente da República ao 35.º Congresso APDC. António José Seguro sublinhou que o digital deixou de ser apenas um setor ou uma especialidade, passando a constituir uma infraestrutura crítica, uma condição de soberania, um fator de competitividade económica, um instrumento de segurança e um domínio central da vida democrática. Por isso, o debate sobre o futuro digital europeu não pode ser apenas técnico: é também político, económico, ético e civilizacional.
Alertando para que a Europa atravessa um período exigente, em que se tornaram mais visíveis as suas dependências tecnológicas e vulnerabilidades estratégicas, destaaca que a questão central está em saber como pode a UEa manter capacidade de decisão sobre as tecnologias de que depende, proteger cidadãos e instituições e, ao mesmo tempo, permanecer aberta à inovação, ao conhecimento e à criação de valor.
Para o Presidente da República, este equilíbrio exige três dimensões complementares: soberania, para que a Europa não se resigne à dependência em domínios decisivos; segurança, porque a proteção das infraestruturas críticas, dos dados, dos serviços essenciais e da confiança pública é condição de liberdade; e inovação, porque sem ciência, talento, investimento, empresas dinâmicas e capacidade de transformar conhecimento em crescimento, a autonomia estratégica ficará incompleta.
Mas a construção do futuro digital europeu deve conservar uma referência essencial: a tecnologia deve servir as pessoas. Num contexto em que a IA, os algoritmos e a economia dos dados influenciam decisões, comportamentos e oportunidades, defendeu que o progresso tecnológico exige responsabilidade democrática, transparência, inclusão e respeito pelos direitos fundamentais.
Portugal também tem uma responsabilidade própria neste processo. O país dispõe de talento científico e tecnológico, empresas inovadoras, centros de investigação qualificados e uma nova geração com ambição europeia. Mas persistem obstáculos relevantes, entre os quais défices de produtividade, qualificações desiguais, burocracias persistentes e a necessidade de modernizar o Estado, reforçar a confiança digital e aproximar a tecnologia da vida concreta dos cidadãos e das empresas.
Nesse sentido, o Congresso da APDC foi valorizado como espaço de reflexão e diálogo entre decisores políticos, empresas, reguladores, académicos, especialistas e jovens profissionais. Para o Presidente da República, o futuro digital não pode ser pensado apenas a partir dos centros habituais de decisão, devendo ser construído com pluralidade, responsabilidade e sentido de participação.
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