Portugal passou a integrar a rede de aceleradores da NATO DIANA, o programa da Aliança Atlântica criado para acelerar tecnologias emergentes e disruptivas com aplicação civil e militar. A integração resulta de uma parceria estratégica entre a idD Portugal Defence e o Instituto Pedro Nunes, em Coimbra, que assume a gestão operacional do acelerador nacional. O que confirma que a inovação tecnológica portuguesa começa a ser chamada para áreas onde defesa, segurança e economia digital se cruzam.
A entrada do IPN na rede DIANA coloca o país no mapa dos aceleradores da NATO dedicados à inovação de duplo uso, num momento em que defesa, segurança, espaço, inteligência artificial, autonomia, cibersegurança e resiliência de infraestruturas se tornaram áreas prioritárias para os países aliados. Segundo o IPN, o acelerador português passa a apoiar empresas nacionais no terreno e a ajudá-las a posicionar-se no mercado global de defesa.
A DIANA, sigla de Defence Innovation Accelerator for the North Atlantic, foi aprovada pela NATO em abril de 2022 e tem como objetivo acelerar o desenvolvimento de soluções tecnológicas capazes de responder a desafios críticos de segurança e defesa transatlântica. A iniciativa trabalha com o setor privado, startups, PME, centros de investigação e academia, procurando aproximar inovação civil das necessidades operacionais da defesa.
O programa funciona através de chamadas públicas de desafios. As empresas selecionadas recebem financiamento contratual inicial de 100 mil euros para desenvolverem as suas soluções durante a fase de aceleração. Podem ainda ter acesso a financiamento adicional até 300 mil euros numa fase posterior, caso sejam selecionadas para o chamado Mission Track, direcionado a soluções com maior potencial de adoção em contexto de defesa.
Além do financiamento, as empresas passam a integrar uma rede internacional de aceleradores, mentores, investidores, utilizadores finais militares e mais de 200 centros de teste em países aliados. Esta componente é relevante porque permite validar tecnologias em ambientes operacionais, testar soluções com utilizadores especializados e preparar a entrada em mercados tradicionalmente difíceis para startups e empresas civis.
A integração portuguesa surge numa fase em que empresas nacionais já começam a afirmar-se no programa. A Neuraspace e a Connect Robotics foram selecionadas em 2026 pela NATO DIANA, entre 150 empresas escolhidas a partir de candidaturas dos 32 países aliados. A Neuraspace desenvolve soluções de inteligência artificial para gestão de tráfego espacial, enquanto a Connect Robotics trabalha em logística autónoma com drones.
A presença destas empresas mostra a ligação entre o ecossistema tecnológico português e áreas críticas da nova agenda de defesa. Espaço, sistemas autónomos, inteligência artificial e logística resiliente são domínios onde as aplicações civis e militares se cruzam de forma crescente. Para Portugal, esta convergência pode abrir novas oportunidades de internacionalização para startups, centros de investigação e empresas tecnológicas com soluções aplicáveis a mercados de segurança, defesa e infraestruturas críticas.
A chamada para a coorte de 2027 da DIANA está aberta até 3 de julho de 2026. Este ano, a NATO definiu seis áreas de desafio: sobrevivência humana, autonomia multidomínio de sistemas não tripulados, sensores multidomínio e processamento avançado de dados para inteligência e vigilância, resiliência operacional em ambientes contestados, logística responsiva e contramedidas escaláveis para defesa aérea.
Estas prioridades mostram a evolução da defesa para uma lógica cada vez mais tecnológica e distribuída. A NATO procura soluções capazes de acelerar a adoção de capacidades avançadas pelas forças aliadas, mas também de reforçar a resiliência de sociedades, infraestruturas e cadeias de abastecimento. A inovação de duplo uso passa, por isso, a ocupar um espaço central entre política industrial, segurança económica e soberania tecnológica.
Para o ecossistema nacional, o acelerador gerido pelo IPN pode funcionar como porta de entrada para empresas portuguesas que desenvolvem deep tech com potencial internacional. O acesso a testes, mentoria, financiamento e redes de utilizadores finais da NATO pode ajudar a reduzir barreiras de entrada num mercado complexo, onde a validação operacional e a credibilidade institucional são determinantes.
A entrada de Portugal na rede DIANA também reforça o papel da idD Portugal Defence na ligação entre indústria, inovação e defesa. A entidade tem vindo a procurar posicionar o ecossistema nacional junto de programas internacionais da NATO e da União Europeia, num contexto em que a indústria de defesa e as tecnologias críticas ganharam maior centralidade na agenda europeia.
O desafio estará agora na capacidade de transformar esta integração em candidaturas qualificadas, projetos testados e soluções adotadas. A presença formal na rede cria uma plataforma de acesso, mas o impacto dependerá da capacidade das empresas portuguesas para desenvolver tecnologias maduras, responder a necessidades concretas da NATO e escalar para mercados internacionais.
Ligando tecnologia, impacto social, saúde, educação e formação de futuros profissionais
Considerando estas áreas essenciais para a transformação da economia