Portugal tornou-se o primeiro país da rede internacional Apps for Good a alargar o programa ao Ensino Superior. A nova etapa, promovida em Portugal pelo CDI Portugal, integra instituições universitárias e politécnicas e leva a metodologia do programa a contextos pedagógicos mais avançados, envolvendo estudantes na criação de soluções digitais para problemas reais.
A estreia no Ensino Superior contou com a participação da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Castelo Branco, da Escola Superior de Educação do Politécnico de Coimbra, da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto, da Universidade da Madeira e da Egas Moniz School of Health & Science. Cada instituição promoveu o seu próprio Encontro Local durante o mês de junho, apresentando projetos desenvolvidos pelos estudantes no âmbito das respetivas unidades curriculares.
O alargamento do programa representa uma nova fase para o Apps for Good em Portugal, que até agora envolvia sobretudo equipas do Ensino Básico, Secundário, Estabelecimentos Prisionais, Centros Educativos, regiões autónomas e Comunidades Portuguesas no Estrangeiro. Em 2026, aos Encontros Regionais junta-se, pela primeira vez, um ciclo de Encontros Locais no Ensino Superior.
Na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Castelo Branco, o encontro envolveu cerca de 30 alunos, organizados em oito equipas. No Politécnico de Coimbra, a iniciativa, no âmbito da Licenciatura em Educação Básica, na unidade curricular de Desenvolvimento Curricular, reunindo cerca de 58 alunos e 16 equipas.
A Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto promoveu o seu Encontro Local, integrando o Apps for Good na unidade curricular de Matemática, Ciências e Tecnologias, no âmbito de Tecnologias para a Educação STEAM. Já a Egas Moniz School of Health & Science encerrou este ciclo com a participação de cerca de 202 alunos do Mestrado Integrado em Medicina Dentária.
Criado em Londres, em 2010, por Iris Lapinski, o Apps for Good desafia alunos e professores a desenvolver soluções tecnológicas para responder a problemas sociais, ambientais ou comunitários. Em Portugal, o programa foi implementado em 2015, através de uma parceria entre a Direção-Geral da Educação e o CDI Portugal, tendo vindo a consolidar-se como uma metodologia de aprendizagem baseada em projetos, colaboração, pensamento crítico e impacto social.
A chegada ao Ensino Superior começou a ser preparada em 2025, com o projeto-piloto UpComing Educators, dirigido a estudantes de Educação e formação de professores. Esta vertente procurou integrar metodologias ativas e aprendizagem baseada em projeto na formação inicial docente, preparando futuros professores para aplicar o modelo Apps for Good nas suas salas de aula e multiplicar esta abordagem ao longo da carreira.
Em 2026, o programa dá um passo adicional e passa a ser aplicado como metodologia de projeto no Ensino Superior, para além da formação de educadores. A abordagem pode agora ser integrada em diferentes cursos universitários e politécnicos, desafiando estudantes de áreas distintas a aplicar conhecimento científico e técnico no desenvolvimento de soluções digitais com impacto social.
Na Egas Moniz, o Apps for Good foi integrado na unidade curricular de Metodologias de Informação e Comunicação, em duas turmas do primeiro ano do Mestrado Integrado em Medicina Dentária, com os professores Ana Mano Azul e João Couvaneiro. Os estudantes desenvolveram soluções digitais orientadas para responder a desafios associados ao ODS 3 - Saúde de Qualidade, com foco particular na saúde oral.
A colaboração entre o CDI Portugal e a Egas Moniz foi formalizada através de um protocolo de cooperação institucional, assinado em Almada, a 16 de junho de 2026, pelo presidente da Egas Moniz, José João Mendes, e pelo diretor-executivo do CDI Portugal, João Baracho. O acordo estabelece a cooperação entre as duas entidades para desenvolver e implementar iniciativas conjuntas no âmbito do Apps for Good no Ensino Superior.
O protocolo prevê a integração do programa em unidades curriculares, projetos curriculares e outras atividades académicas, promovendo inovação pedagógica, competências digitais, pensamento computacional, aprendizagem baseada em projetos e resolução de problemas sociais reais. O objetivo é aproximar a experiência académica dos estudantes de contextos concretos de intervenção, incentivando a criação de aplicações e soluções tecnológicas com propósito social.
Para João Baracho, diretor-executivo do CDI Portugal, o alargamento ao Ensino Superior demonstra a capacidade do Apps for Good para se adaptar a diferentes níveis de ensino e contextos de aprendizagem. "Ao chegarmos às universidades e aos politécnicos, reforçamos a ideia de que a tecnologia deve ser trabalhada como ferramenta de cidadania, de inovação e de impacto social", afirma.
O responsável sublinha ainda que, no Ensino Superior, os estudantes já dispõem de conhecimento científico e técnico que pode ser aplicado a problemas reais, enquanto o Apps for Good oferece uma metodologia prática, colaborativa e orientada para soluções. Para o CDI Portugal, esta é também uma aposta sistémica, ao envolver futuros professores, profissionais de saúde e estudantes de diferentes áreas, criando condições para que esta forma de aprender e intervir na sociedade se multiplique.
Com esta estreia, Portugal reforça o seu papel de inovação dentro da rede internacional Apps for Good. O alargamento ao Ensino Superior consolida uma abordagem educativa que liga tecnologia, cidadania, empreendedorismo, pensamento crítico e impacto social, mostrando que a criação de soluções digitais pode ser integrada em diferentes percursos académicos e profissionais.
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