Portugal está na terceira posição no Índice de Governo Digital 2025 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), surgindo apenas atrás da Coreia do Sul e da Austrália. O resultado destaca o país como uma das administrações públicas com desempenho mais equilibrado nas seis dimensões do Quadro de Políticas de Governo Digital da organização. É ainda identificado como um dos países que registaram o aumento mais pronunciado de pontuação nesta edição, a par do Chile, Costa Rica e Japão, sinalizando uma intensificação das políticas públicas digitais no período em análise.
O relatório, divulgado esta semana, avalia os esforços dos governos para estabelecer as bases estruturais de uma transformação digital do setor público coerente e centrada no cidadão. Assim, na dimensão "Governo como plataforma", Portugal lidera o ranking global. Esta categoria mede a capacidade de disponibilização de blocos de construção digitais partilhados, incluindo sistemas de identidade digital, interoperabilidade e partilha de dados, plataformas comuns de serviços, infraestrutura cloud e normas técnicas. Segundo a OCDE, a avaliação incide sobre as bases estruturais e facilitadores tecnológicos e não sobre a adoção de serviços individuais. O posicionamento de Portugal nesta dimensão indica maturidade na criação de infraestruturas digitais transversais ao Estado.
Na dimensão "Orientação para o utilizador", Portugal surge na segunda posição, imediatamente após a Austrália. Esta componente avalia a capacidade de colocar as necessidades, expectativas e experiências dos cidadãos no centro da conceção de políticas e da prestação de serviços digitais. O desempenho sugere integração crescente de metodologias de design centrado no utilizador e melhoria da experiência digital nos serviços públicos.
O país ocupa ainda a quarta posição na dimensão "Proatividade", que mede a capacidade de antecipar necessidades e disponibilizar serviços públicos antes de serem explicitamente solicitados, recorrendo a dados e tecnologias digitais, incluindo inteligência artificial.
Já na dimensão "Digital by design", o país surge em terceiro lugar. Esta categoria avalia o grau de integração de estruturas de governance digital nas diferentes áreas governativas, assegurando orientação estratégica e supervisão coerente na implementação de ferramentas digitais e na transformação de processos. A OCDE sublinha que um desempenho elevado nesta dimensão reflete capacidade institucional para coordenar iniciativas digitais dispersas e garantir alinhamento estratégico.
Na dimensão "Aberto por defeito" (Open by default), Portugal posiciona-se na 15.ª posição. Esta categoria mede a promoção da transparência, abertura e responsabilização através do uso proativo de tecnologias digitais e dados, incluindo transparência algorítmica, adoção de soluções open source e colaboração em ecossistemas digitais. Aqui, o resultado sugere margem para reforçar práticas de abertura de dados e transparência na utilização de algoritmos e inteligência artificial.
O relatório inclui ainda dados atualizados do Índice OURdata (Open, Useful and Reusable Data), que avalia a disponibilidade, acessibilidade e reutilização de dados públicos. Portugal destaca-se pelos progressos registados desde a última avaliação, integrando o grupo de países que mais evoluíram, juntamente com Chile, Japão, Letónia e República Checa.
A presença de Portugal no top 3 do Índice de Governo Digital da OCDE confirma a consolidação de um modelo assente em infraestruturas digitais partilhadas, interoperabilidade e integração estratégica. O desafio identificado pelo relatório passa agora por aprofundar transparência, abertura e reutilização de dados, mantendo a coerência da governação digital num contexto de crescente incorporação de inteligência artificial e serviços preditivos na administração pública.
Ocupa 5ª posição no ranking nacional, logo a seguir a várias universidades