Portugal acaba de colocar em órbita seis novos satélites, no âmbito da Agenda New Space Portugal. O lançamento foi realizado a partir dos Estados Unidos, com recurso a um foguetão da SpaceX, para reforçar as capacidades em observação da Terra e comunicações marítimas. A missão integra dois satélites destinados à Constelação Atlântico e quatro à Constelação Lusíada, dois projetos estratégicos apoiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e orientados para o desenvolvimento de competências nacionais no setor espacial.
No caso da Constelação Atlântico, a Força Aérea Portuguesa passa a dispor de um satélite com tecnologia radar de abertura sintética (SAR), capaz de observar a superfície terrestre em qualquer condição meteorológica e independentemente da luminosidade. Esta capacidade permite reforçar a vigilância marítima, a monitorização da Zona Económica Exclusiva e o apoio a missões de segurança e defesa.
A este junta-se um segundo satélite ótico de muito alta resolução, desenvolvido no âmbito de uma parceria liderada pelo CEiiA e pela empresa N3O, com participação de parceiros internacionais. Este equipamento permite captar imagens com elevada precisão, reforçando aplicações em áreas como gestão territorial, ambiente e resposta a emergências.
Paralelamente, a Constelação Lusíada inicia a sua operação com quatro satélites - Camões, Agustina, Pessoa e Saramago - desenvolvidos pela LusoSpace. O projeto visa criar uma infraestrutura de comunicações marítimas com cobertura global, permitindo acesso a conectividade no mar em tempo real, mesmo em condições adversas.
Segundo informação divulgada pela empresa, esta constelação pretende suportar serviços de navegação e comunicação, contribuindo para maior segurança no transporte marítimo e para a digitalização das operações oceânicas. O investimento associado ronda os 15 milhões de euros, dos quais cerca de 10 milhões são financiados pelo PRR, sendo o restante assegurado por capital próprio e investimento privado.
O lançamento ocorre num contexto de reforço da estratégia nacional para o espaço, que inclui não apenas o desenvolvimento de satélites, mas também a criação de infraestruturas e serviços associados. Entre estas iniciativas destaca-se o projeto de uma base espacial nos Açores, coordenado pela Força Aérea Portuguesa, com o objetivo de posicionar o país como plataforma atlântica para lançamentos e operações espaciais.
No mesmo quadro estratégico, foi também formalizado um acordo de cooperação entre a empresa Satellogic, a N3O e a Geosat, centrado no desenvolvimento de tecnologias para satélites e serviços downstream, incluindo aplicações baseadas em dados de observação da Terra.
A Agenda New Space Portugal insere-se numa lógica de desenvolvimento de um ecossistema industrial e tecnológico nacional no domínio espacial, articulando entidades públicas, empresas e centros de investigação. Este movimento acompanha a crescente relevância do setor espacial na economia digital, nomeadamente na geração de dados, comunicações e serviços críticos. A aposta portuguesa ocorre num contexto europeu de reforço da autonomia estratégica no espaço, área considerada essencial para a soberania tecnológica, segurança e competitividade.