Portugal mantém-se como “Moderate Innovator” no ranking de inovação europeu

2026-07-21

O país voltou a melhorar no European Innovation Scoreboard 2026, mas permanece abaixo da média da União Europeia e mantém-se no grupo dos "Moderate Innovators". De acordo com a nova edição do painel europeu da inovação, divulgado pela Comissão Europeia, o país apresenta um desempenho equivalente a 93,2% da média da UE, ocupando o 15.º lugar entre os 27 estados-membros.
O resultado mostra uma evolução positiva mas ainda insuficiente para colocar Portugal no grupo dos "Strong Innovators", onde se encontram os países com desempenho entre 100% e 125% da média europeia. Ainda assim, o país está acima da média dos países classificados como inovadores moderados, que se situa nos 86,4% da média da UE.
Desde 2019, a pontuação portuguesa aumentou 13 pontos percentuais, uma evolução superior à média europeia, que cresceu 11,6 pontos no mesmo período. Face a 2025, Portugal melhorou 1,4 pontos, confirmando uma trajetória de crescimento, embora ainda marcada por fortes assimetrias entre áreas de desempenho.
O país apresenta resultados particularmente positivos em digitalização, onde ocupa o 8.º lugar na UE, com um desempenho equivalente a 112,3% da média europeia. A conectividade de alta velocidade surge como um dos indicadores mais fortes, com Portugal nos 119,7% da média da UE e em 7.º lugar. As competências digitais acima do nível básico também já superam ligeiramente a média europeia.
Outro ponto forte é o apoio público à investigação e desenvolvimento empresarial. Portugal lidera a UE no indicador de apoio direto e indireto do Estado na I&D das empresas, com uma pontuação equivalente a 185,9% da média europeia. Este dado confirma a relevância dos instrumentos públicos no financiamento da inovação, mas também expõe uma das contradições do sistema: o apoio existe, mas nem sempre se traduz em investimento privado robusto e escala empresarial.
Bruxelas identifica precisamente os investimentos das empresas como uma das maiores fragilidades nacionais. Portugal tem um desempenho de apenas 57,4% da média da UE nesta dimensão e ocupa o 21.º lugar. O indicador de despesa em inovação por trabalhador é particularmente baixo, com 36,1% da média europeia e a 23.ª posição entre os estados-membros. A adoção de cloud pelas empresas também surge entre os indicadores mais fracos, com Portugal em 23.º lugar.
O relatório evidencia ainda um paradoxo relevante: Portugal tem boa base de digitalização e investigação, mas continua a ter dificuldade em transformar conhecimento em ativos protegidos, serviços intensivos em conhecimento e produtividade. Nos ativos intelectuais, o país fica nos 75% da média europeia, com desempenho fraco em pedidos de patentes PCT e aplicações de design.
A exportação de serviços intensivos em conhecimento é uma das maiores debilidades. Portugal apresenta apenas 42,7% da média europeia neste indicador, ocupando o 24.º lugar entre os estados-membros. Também a produtividade laboral continua a pesar negativamente, com desempenho equivalente a 43,5% da média da UE.
Pela positiva, o país destaca-se nos impactos comerciais da inovação. As vendas de produtos novos para o mercado ou para a empresa atingem 133% da média europeia, colocando Portugal no 4.º lugar da UE neste indicador. A dimensão de vendas e emprego associada à inovação fica, no conjunto, nos 114,8% da média europeia e em 8.º lugar.

 


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