Portugal reforça na inovação mas obstáculos persistem

2025-09-04

A inovação em Portugal registou uma trajetória positiva em 2023 e 2024, marcada pelo crescimento da despesa em Investigação e Desenvolvimento (I&D), aumento da qualificação da população e pelo reforço da inovação empresarial.  No entanto, continuam a persistir desafios a endereçar, como na retenção de talento e na aposta em tecnologias disruptivas. A conclusão é do Relatório Nacional de Inovação 2024 (RNI 2024), publicado pela Agência Nacional de Inovação (ANI), que este ano se dedica às áreas da segurança e defesa.
O relatório salienta a importância destas áreas num contexto de tensões geopolíticas e de crescentes exigências de soberania tecnológica. Entre os principais indicadores, destaca- o aumento da percentagem de população entre os 25 e os 64 anos com ensino superior, que passou de 27,5% em 2020 para 29,8% em 2023. Já a despesa total em I&D ultrapassou os 4,5 mil milhões de euros, correspondendo a 1,7% do PIB. Só as entidades da Base Tecnológica e Industrial de Defesa (BTID) e o Ministério da Defesa Nacional investiram 485,2 milhões de euros, mais 29% face a 2020.
Cerca de 44,7% das empresas desenvolveram atividades inovadoras entre 2020 e 2022, percentagem que sobe para 79,1% nas grandes empresas. Já no plano da infraestrutura digital e científica, registaram-se avanços significativos: a plataforma NAU aumentou em 25% o número de utilizadores, a rede RCTS100 já cobre 90% das instituições de ensino superior e a plataforma de dados científicos POLEN ultrapassou os 10 petabytes de informação armazenada.
Mas, apesar dos progressos, o relatório aponta vários desafios que Portugal ainda enfrenta. No European Innovation Scoreboard 2024, o país continua a ser classificado como inovador moderado, sinalizando que há um caminho a percorrer para atingir os líderes europeus. Entre os principais obstáculos estão a necessidade de reforçar a proteção da propriedade intelectual, melhorar a capacidade de atração e retenção de talento e aprofundar a cooperação internacional. O relatório alerta ainda para a importância de uma aposta mais forte em áreas disruptivas, como as tecnologias quânticas, a Inteligência Artificial (IA) e as aplicações de tecnologias espaciais.
Este relatório da ANI conta com coautores como a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), a Agência para a Competitividade e Inovação (IAPMEI), a Direção-Geral de Estatísticas de Educação e Ciência (DGEEC) e o Gabinete de Estratégias e Estudos do Ministério da Economia (GEE).
 


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