Portugal reitera candidatura com Espanha à gigafábrica de IA

2026-07-30

O Governo reafirmou a intenção de apresentar com Espanha uma candidatura conjunta e paritária ao concurso europeu para gigafábricas de inteligência artificial. Portugal deverá disputar o lote de larga escala e comprometeu até 200 milhões de euros para assegurar capacidade computacional instalada em território nacional. O objetivo é desenvolver "um grande projeto ibérico com dimensão europeia", segundo o Ministério da Reforma do Estado, que reafirmou a estratégia nacional, na sequência da abertura formal do concurso europeu.
"Portugal mantém a vontade política de desenvolver uma candidatura conjunta e paritária com Espanha, criando um grande projeto ibérico com dimensão europeia", refere o gabinete do ministro Gonçalo Matias.
A preparação da participação nacional é liderada pelo Banco Português de Fomento, em articulação com os parceiros públicos e privados envolvidos no projeto. O ECO avança, citando fonte do Governo, que Portugal deverá concorrer ao segundo lote do procedimento europeu, destinado às gigafábricas de larga escala, que poderá apoiar até três projetos. 
Na primeira fase, cada candidatura terá de garantir um mínimo de 40 mil processadores avançados de IA, equivalentes ou superiores aos Nvidia H100, e assumir um compromisso vinculativo para alcançar pelo menos 100 mil processadores numa segunda fase. O financiamento europeu poderá ascender a 200 milhões de euros por projeto na etapa inicial e a mais 800 milhões na fase de expansão.
Recorde-se que o país aprovou um compromisso inicial de até 200 milhões de euros para adquirir capacidade computacional associada a infraestrutura instalada no país. Sendo que esse valor não corresponde apenas a um subsídio à construção. O Estado compromete-se a comprar antecipadamente tempo de acesso aos recursos de computação da futura gigafábrica, entre 2027 e 2033. O investimento pretende garantir que empresas, startups, universidades, centros de investigação e organismos da Administração Pública possam utilizar capacidade avançada de IA sem depender exclusivamente de fornecedores estrangeiros.
O Governo já tinha anunciado, em junho, que Portugal integraria uma candidatura ibérica ao programa EuroHPC e enquadrou o compromisso financeiro na estratégia nacional de soberania tecnológica. "A ambição é clara: construir em Portugal um grande polo europeu de inteligência artificial", afirma agora o Ministério da Reforma do Estado.
A candidatura conjunta foi formalizada politicamente na Cimeira Luso-Espanhola de março, quando os dois governos anunciaram a intenção de desenvolver um projeto de caráter paritário. O Governo português tem defendido que a infraestrutura seja repartida "de igual para igual" entre os dois países. Gonçalo Matias afirmou, em abril, que o projeto deveria ter "metade em Portugal e metade em Espanha", com Sines como localização principal do lado português.
O presidente executivo do Banco Português de Fomento, Gonçalo Regalado, afirmou em junho que a candidatura estava a ser estruturada com Sines como polo principal e com redundância em Lisboa e Abrantes. Mas as localizações finais não foram ainda formalmente anunciadas. 
Já o governo espanhol tem o projeto mais avançado. Foi autorizado um investimento de 719 milhões de euros, através da Sociedade Espanhola para a Transformação Tecnológica, num consórcio público-privado que vai participar no concurso europeu. A proposta prevê uma candidatura com várias localizações, em Móra la Nova, na Catalunha, e San Fernando de Henares, na região de Madrid. 
Madrid aprovou ainda uma contribuição de 300 milhões de euros para a EuroHPC, destinada, entre outras finalidades, à aquisição de serviços da futura gigafábrica. O projeto deverá mobilizar cerca de cinco mil milhões de euros. O consórcio integra a Telefónica, ACS, Banco Santander, Multiverse Computing, SETT e Generalitat da Catalunha. Pedro Sánchez apresentou-o como um projeto de maioria privada e defendeu a colaboração entre Estado e empresas para reforçar a capacidade tecnológica europeia.


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