Cerca de 44% dos portugueses consideram provável que o Governo consiga regular de forma adequada novas tecnologias emergentes, como a inteligência artificial, ajudando empresas e cidadãos a utilizá-las de forma responsável. O valor fica ligeiramente acima da média da OCDE, situada nos 42%.
Os dados são do OECD Survey on Drivers of Trust in Public Institutions 2026 Results. O estudo mostra que a confiança na capacidade dos governos para regular tecnologias emergentes continua longe de ser maioritária, mas Portugal surge um pouco acima da média dos países analisados. Entre os inquiridos portugueses, 20% mantêm uma posição neutra, enquanto cerca de 30% consideram improvável que o Governo consiga assegurar uma regulação adequada.
Entre os países da OCDE, a Chéquia, Países Baixos, Finlândia e Coreia do Sul destacam-se pelos níveis mais elevados de confiança na capacidade dos respetivos governos para regular eficazmente novas tecnologias. Em todos estes países, mais de metade da população considera provável uma regulação adequada. No extremo oposto está a Letónia, onde menos de 30% dos cidadãos partilham essa confiança, seguida de países como Estónia, Chile, Colômbia, Irlanda e Grécia, todos abaixo dos 40%.
A OCDE conclui que a confiança na governação da IA não depende apenas das políticas específicas para esta tecnologia. Está também ligada à perceção mais ampla sobre a capacidade do Estado para enfrentar desafios complexos e de longo prazo, coordenar diferentes intervenientes e equilibrar interesses presentes e futuros.
Segundo a organização, os cidadãos que acreditam que o Estado conseguirá responder a desafios como a redução de emissões, a cooperação com empresas e sindicatos ou a proteção das gerações futuras tendem também a olhar para a IA com maior confiança. A governação da tecnologia surge, assim, associada à credibilidade geral das instituições.
No caso português, a OCDE mostra sinais mistos. A satisfação com os serviços administrativos aumentou de 43% em 2023 para 52% em 2025 e a perceção de uso de evidência na decisão pública subiu de 36% para 42% no mesmo período. A perceção de legitimidade no uso de dados pelo setor público caiu de 52% em 2021 para 40% em 2023, mas recuperou para 44% em 2025.
A relação entre dados e IA é um dos pontos centrais do estudo. A OCDE sublinha que os cidadãos que confiam que as instituições públicas usam dados pessoais apenas para fins legítimos tendem a encarar de forma mais positiva a utilização da IA nos serviços públicos. A organização lembra que sistemas de IA dependem de grandes volumes de dados, o que torna indispensáveis regras claras de proteção da privacidade, segurança da informação, partilha e governação dos dados.
Em Portugal, 47% dos cidadãos acreditam que o Governo poderá usar IA para prestar serviços mais personalizados e 44% consideram que a tecnologia poderá ajudar a reduzir custos. Ainda assim, a confiança baixa quando estão em causa garantias de proteção e controlo: 36% acreditam que o Governo protegerá a informação pessoal no uso da IA, 42% confiam que haverá supervisão humana, 34% esperam transparência sobre a utilização da tecnologia e 38% acreditam que será assegurado tratamento justo.
Apesar destas reservas, a OCDE assinala que, nas seis dimensões avaliadas sobre o uso futuro da IA pelo setor público, os portugueses são mais positivos do que a média da organização. O dado sugere uma abertura relativa à adoção de IA no Estado, mas condicionada por fatores de confiança, transparência e proteção de dados.
Ligando tecnologia, impacto social, saúde, educação e formação de futuros profissionais
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