Com a queda acentuada do tráfego postal prevista para os próximos anos, os preços vão tornar-se desproporcionalmente. Pelo que a próxima concessão do serviço postal nacional, a partir de 2029, quando for negociado o respetivo contrato com o Estado, terá de se pagar de outras formas, encontrando-se novos financiamentos. A afirmação é do CEO dos CTT, João Bento.
O contrato de concessão atual, que terminará a 31 de dezembro de 2028, pressupõe que o serviço postal é financiado pelos próprios utilizadores. "É nossa convicção forte, e uma certeza absoluta pessoal, que o atual modelo de financiamento do serviço postal universal não será viável depois de 2028, porque os volumes têm caído tanto que os preços se irão tornar desproporcionalmente elevados", refere.
Na sua perspetiva, há a necessidade de se encontrarem encontrar novas formas de financiamento do serviço universal, e o processo nesse sentido precisa de começar a ser feito já a partir do próximo ano. O gestor, que não adiantou detalhes sobre a forma como considera que poderá ser financiado o serviço postal universal a partir de 2029, falava no âmbito do Capital Markets Day do grupo.
Onde anunciou ainda que o grupo postal tem a ambição de se tornar líder na logística e no comércio eletrónico nos próximos três anos. Sendo que, para isso, vai reforçar os investimentos. No processo, será fundamental a "parceria prevista" com a DHL, anunciado no final do ano passado, nos segmentos de consumo e empresarial, que ainda aguarda aprovação regulatória.
Recorde-se que nos termos do acordo, os CTT vão comprar a totalidade da DHL Parcel Portugal e 25% da DHL Parcel Iberia, ficando em Espanha com o B2C (consumo) e deixando o B2B (empresarial) para os alemães. Por sua vez, a DHL vai adquirir 25% da CTT Expresso. Sendo que ambas as partes poderão ainda reforçar as suas posições e ficar com até 49% uma da outra, após o fecho das contas de 2027. Esta perceria foi anunciada quase ao mesmo tempo da compra da espanhola Casesa.
Referiu ainda que o grupo vai simplificar e racionalizar o reporte de resultados já a partir deste ano, uma vez que o comércio eletrónico vai ser o principal negócio, e o correio que, historicamente, é o core deste grupo centenário, passará para a segunda posição. João Bento confirmou ainda o guidance avançado para o final do ano, com rendimentos operacionais entre 1,6 e 1,7 mil milhões de euros no final de 2026 e um EBIT entre 170 a 195 milhões.
Nos nove primeiros meses do ano, os CTT viram os lucros subirem 18,4%, face ao mesmo período do ano passado, para 32,8 milhões de euros. Os rendimentos operacionais atingiram 911,2 milhões de euros, mais 15%, graças ao forte desempenho do Expresso e Encomendas e à consolidação da Caces, a a partir de 30 de abril.
Até setembro, a Logística atingiu 775,8 milhões de euros, um aumento homólogo de 14,3%, representando 85% dos rendimentos totais dos CTT, enquanto o Expresso e Encomendas ficou com 434,2 milhões de euros (+31,4%), "sendo a área que mais contribui para a receita dos CTT (48%).