Salário e equilíbrio vida-trabalho lideram prioridades dos portugueses

2026-05-22

O salário continua a ser o fator mais valorizado pelos trabalhadores portugueses na escolha de um empregador, mas o equilíbrio entre vida profissional e pessoal está cada vez mais próximo do topo das prioridades. A conclusão é da edição de 2026 do Randstad Employer Brand Research, um estudo da Randstad Portugal sobre marca empregadora.
Segundo os dados divulgados, 68% dos profissionais apontam o salário e benefícios competitivos como o fator mais importante na escolha de um empregador. Logo a seguir surge o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, referido por 67%, seguido da progressão na carreira, com 65%, do ambiente de trabalho agradável, com 63%, e da segurança no emprego, com 58%.
Os resultados mostram que as prioridades dos trabalhadores portugueses permanecem relativamente estáveis, mas com reforço claro da importância atribuída ao bem-estar e à conciliação entre vida pessoal e profissional. As mulheres e os profissionais com maior nível de escolaridade atribuem ainda maior relevância à combinação entre remuneração competitiva, progressão na carreira e ambiente de trabalho positivo.
O estudo evidencia, contudo, um desalinhamento entre o que os profissionais valorizam e a forma como avaliam os empregadores atuais. O maior alerta surge na remuneração: salário e benefícios são o fator mais importante para os trabalhadores, mas ocupam o último lugar, em 12.º, na avaliação das empresas onde trabalham. Também existem lacunas relevantes ao nível da progressão na carreira e do apoio ao equilíbrio vida-trabalho.
A mobilidade no mercado de trabalho continua a ser significativa. De acordo com o estudo, 12% dos profissionais mudaram de emprego nos últimos seis meses e 23% planeiam mudar no próximo semestre. A remuneração demasiado baixa é o principal motivo para abandonar uma empresa, apontado por 50% dos inquiridos, seguida da falta de oportunidades de progressão, com 42%, e das dificuldades em assegurar um equilíbrio saudável entre vida pessoal e profissional, com 41%.
O talento operacional é o segmento com maior intenção de mudança, enquanto os profissionais digitais apresentam níveis mais elevados de satisfação com o empregador atual. Esta diferença sugere que a retenção de talento continua a depender de fatores distintos por função, perfil profissional e setor de atividade.
No domínio do equilíbrio vida-trabalho, os principais fatores apontados são um bom ambiente de trabalho, referido por 53%, tempo garantido de descanso e recuperação, com 50%, e modelos de trabalho flexíveis, com 40%. Os profissionais mais jovens valorizam sobretudo cargas de trabalho e expectativas mais geríveis, enquanto os trabalhadores acima dos 35 anos atribuem maior importância a saúde, bem-estar e apoio social e familiar.
Apesar da valorização da flexibilidade, o trabalho remoto continua limitado em Portugal. Apenas cerca de três em cada dez profissionais trabalham remotamente, pelo menos parte do tempo. Na procura de novas oportunidades, o Net-Empregos mantém-se como a plataforma mais usada e com maior taxa de sucesso, seguido do LinkedIn, das redes de contactos pessoais e das redes sociais.
A edição de 2026 identifica ainda as empresas consideradas mais atrativas para trabalhar em Portugal. O Grupo Nabeiro lidera o ranking, seguido da Microsoft e da The Navigator Company. O top 10 inclui ainda Siemens, OGMA, Bosch, Nestlé, RTP, Banco de Portugal e CUF.
Segundo a Randstad, os fatores mais associados às empresas mais atrativas são a tecnologia de ponta, boa reputação, gestão e liderança fortes e ambiente de trabalho agradável. Num mercado onde 23% dos profissionais admite mudar de emprego no próximo semestre, estes atributos tornam-se relevantes para empresas que procuram reforçar atração e retenção de talento.


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