O centro de dados da Start Campus, em Sines, vai receber mais de 66 mil GPUs Nvidia Rubin a partir do final de 2027, no âmbito do reforço da parceria entre a Nscale, a Microsoft e a Start Campus. O projeto posiciona Portugal como um dos polos europeus mais relevantes para infraestrutura de IA de alta densidade, numa fase em que a procura por capacidade computacional continua a acelerar.
A nova instalação vai usar sistemas Nvidia Vera Rubin NVL72 e soma-se ao acordo já anunciado para o primeiro edifício do Sines Data Campus, onde serão instaladas mais de 12.600 GPUs Nvidia Blackwell Ultra para suportar necessidades de IA da Microsoft. A expansão agora anunciada ocupará o segundo edifício do campus, o SIN02, com capacidade prevista de 200 MW.
A Nscale prevê investir 230 milhões de euros em infraestruturas partilhadas e 465 milhões de euros no segundo edifício do centro de dados, num total de cerca de 695 milhões de euros, valor que não inclui o custo dos processadores Nvidia. A empresa classifica o projeto como uma das infraestruturas de IA mais significativas da União Europeia e uma das maiores em Portugal até à data.
O reforço consolida a relação entre a Nscale e a Microsoft em Portugal. Em 2025, a Microsoft anunciou planos para investir 10 mil milhões de dólares em infraestrutura de IA em Sines, em colaboração com a Start Campus, Nscale e Nvidia, num dos maiores investimentos europeus da tecnológica nesta área.
Josh Payne, fundador e CEO da Nscale, afirma em comunicado que a capacidade adicional em Sines cria "um dos ambientes mais avançados da Europa para infraestrutura de IA de alta densidade". Para o responsável, a parceria permite disponibilizar computação de próxima geração à escala e eficiência necessárias para cargas de trabalho de fronteira.
Também Robert Dunn, CEO da Start Campus, destaca Sines como "um dos principais destinos europeus para IA em grande escala". Segundo a empresa, a expansão reforça a capacidade europeia para apoiar o desenvolvimento de IA com sustentabilidade, resiliência e planeamento de longo prazo como pilares centrais.
A Start Campus tem uma ambição total de 1,2 GW para o Sines Data Campus, que deverá ser desenvolvido em várias fases. O segundo edifício deverá entrar em funcionamento na segunda metade de 2027, enquanto o projeto global prevê seis edifícios e um investimento total superior a 8,5 mil milhões de euros até ao início da próxima década.
A escolha de Sines assenta em vários fatores estratégicos: disponibilidade energética, potencial de eletricidade renovável, ligação a cabos submarinos internacionais, proximidade ao Atlântico e capacidade de escalar infraestrutura. Estes elementos tornam Portugal competitivo num mercado em que a disponibilidade de energia e de terrenos adequados se tornou um dos principais fatores de decisão para investimentos em IA.
A instalação das GPUs Rubin deverá permitir maior eficiência no processamento de dados por unidade de energia face a gerações anteriores, um ponto crítico numa altura em que os data centers de IA pressionam redes elétricas, cadeias de fornecimento e metas de sustentabilidade. A tecnologia Vera Rubin sucede à geração Blackwell e deverá alimentar workloads avançados de treino e inferência de modelos de IA.
Para Portugal, o anúncio tem uma dimensão económica e estratégica. Confirma a atração de investimento internacional em infraestrutura digital crítica e reforça o papel de Sines como potencial porta de entrada da economia europeia de IA. O desafio será garantir que esta capacidade computacional se traduz também em valor para o ecossistema nacional, através de ligação a universidades, centros de investigação, empresas tecnológicas, talento especializado e novos serviços de IA desenvolvidos a partir de Portugal.
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