A maioria dos profissionais mantém uma perceção positiva sobre o impacto da inteligência artificial (IA) no trabalho, mas a insuficiente literacia tecnológica pode comprometer uma transição equilibrada. E a transição para ambientes de trabalho orientados por IA depende cada vez mais capacitação dos profissionais e da governação organizacional do processo e não da tecnologia disponível. A conclusão é do estudo "Global Insights Whitepaper: Construir e sustentar uma carreira significativa na era da IA", da Experis.
Segundo o relatório, 89% dos trabalhadores afirmam ter confiança moderada ou elevada na sua capacidade de desempenhar funções num ambiente cada vez mais digitalizado, enquanto 78% consideram possuir as ferramentas tecnológicas necessárias para trabalhar de forma eficaz.
Apesar do cenário globalmente otimista, o estudo identifica um padrão claro: a falta de competências em IA aumenta significativamente os níveis de receio. Com base em dados da SAP SuccessFactors, os profissionais com menor familiaridade com IA são: seis vezes mais propensos a sentir receio quanto à sua aplicação no trabalho; sete vezes mais relutantes em utilizá-la nas suas funções; e oito vezes mais desconfortáveis com a sua adoção.
O relatório sugere que o risco não reside na tecnologia em si, mas na assimetria de competências. Do lado organizacional, a adoção progride, embora sem aceleração disruptiva. O estudo indica que: 36% dos líderes tecnológicos veem a IA como uma disrupção ainda em fase de maturação; e 33% consideram que o impacto no negócio permanece pouco claro.
Esta prudência traduz-se numa estratégia gradual, centrada na experimentação e na integração controlada. Um terço dos empregadores considera que a IA não substitui competências humanas críticas. Entre as áreas menos suscetíveis de automação destacam-se: julgamento ético (40%); liderança e gestão de equipas (35%); resolução de problemas complexos (26%); formação e desenvolvimento (23%); e criatividade e comunicação (22%).
A análise aponta para um modelo de complementaridade, em que a IA potencia produtividade, mas mantém a dependência de supervisão e decisão humanas.
Para a Experis, o momento atual constitui uma fase de ajustamento. A adoção empresarial ainda não está consolidada, o que oferece tempo para reforço de competências. O estudo baseia-se em dois inquéritos: o ManpowerGroup Employment Outlook Survey (2.º trimestre de 2025), com 525 empresas em Portugal, e o Experis CIO Outlook, com 1.393 líderes tecnológicos globais.
Ocupa 5ª posição no ranking nacional, logo a seguir a várias universidades