Um em cada quatro trabalhadores portugueses já usa IA

2026-04-23

Cerca de 25% dos trabalhadores portugueses já recorrem a ferramentas de inteligência artificial no exercício da atividade profissional, num movimento que começa a traduzir-se em ganhos mensuráveis de produtividade. O relatório AI at work in Europe, divulgado pela Direção-Geral dos Assuntos Económicos e Financeiros da Comissão Europeia, estima que os utilizadores em Portugal poupam, em média, 9,5 horas por mês com recurso a sistemas como o ChatGPT, o Copilot ou outras soluções generativas. O valor equivale a cerca de 14 dias de trabalho por ano. 
O desempenho português surge acima da média europeia. No conjunto da União Europeia, 34,5% dos trabalhadores afirmam já usar IA no trabalho, com uma poupança média de 7,4 horas mensais por utilizador, ou cerca de 11 dias por ano. Bruxelas estima que estes ganhos possam representar até 0,76% de aumento na produtividade total dos fatores da economia europeia. 
Os dados sugerem que Portugal integra o grupo de países onde a adoção ainda está numa fase inicial, mas onde os impactos marginais são mais visíveis. Em economias mais maduras digitalmente, como Finlândia, Países Baixos ou Suécia, os ganhos reportados tendem a ser menores, refletindo menor espaço para automatização adicional de tarefas rotineiras. Já em mercados como Portugal e Espanha, a IA está a substituir processos ainda fortemente manuais, o que acelera os benefícios imediatos. 
O relatório identifica, contudo, um paradoxo laboral. Entre os trabalhadores que usam IA, uma parte relevante admite o receio de substituição futura pela própria tecnologia. Essa preocupação é mais frequente entre perfis com menores rendimentos, menos qualificações formais e trabalhadores mais jovens. A CE alerta que, sem políticas de requalificação e reorganização do trabalho, os ganhos de eficiência poderão coexistir com maior insegurança profissional. 
Também do lado empresarial persistem assimetrias. Dados recentes do Eurostat indicam que apenas 20% das empresas europeias com dez ou mais trabalhadores utilizavam tecnologias de IA em 2025, mostrando que a adoção organizacional continua atrás do uso individual por colaboradores. 
Para Portugal, a leitura é dupla: existe capacidade de captura rápida de produtividade, mas o retorno económico dependerá menos do uso pontual de assistentes digitais e mais da integração estrutural da IA em processos, competências e modelos operacionais. Sem essa transição, a poupança de tempo tenderá a dispersar-se sem impacto relevante na competitividade.
 


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