Utilização de IA generativa no trabalho quase duplica em Portugal

2026-05-14

A utilização de inteligência artificial generativa no contexto profissional em Portugal quase duplicou em dois anos, passando de 34% em 2024 para 62% em 2026. O que mostra que tecnologia entrou de forma acelerada no quotidiano das empresas portuguesas. Os dados são do Guia Hays 2026, onde se alerta para um problema: o desfasamento entre adoção, maturidade e formação.

Também do lado das organizações verifica-se uma evolução relevante. Atualmente, 52% das empresas promovem o uso de IA generativa, quase o dobro dos 27% registados em 2024. Para a Hays, os  dados mostram que a IA deixou de ser uma ferramenta experimental e passou a integrar processos de trabalho em diferentes áreas de negócio.

"Já não estamos numa fase de experimentação. A IA entrou no dia a dia das empresas e está a tornar-se uma ferramenta estrutural de trabalho. A questão agora não é se deve ser usada, mas como garantir que está a ser bem utilizada", afirma Sandrine Veríssimo, regional director da Hays Portugal.

A produtividade e eficiência são os principais benefícios apontados por empresas e profissionais. Estes ganhos são referidos por 67% das empresas e 64% dos trabalhadores. A geração de ideias e o estímulo à criatividade surgem também entre os impactos positivos, mencionados por 52% das organizações e 48% dos profissionais. Já o apoio à análise de dados é destacado por 49% das empresas e 39% dos trabalhadores.

Segundo Sandrine Veríssimo, o impacto da IA vai além da aceleração de tarefas. "O principal impacto que estamos a ver não é apenas fazer mais rápido, é fazer melhor. A IA está a aumentar a capacidade das equipas, sobretudo em tarefas analíticas e de suporte à decisão", sublinha.

Apesar da evolução, o estudo identifica sinais de menor maturidade na adoção. A Hays refere uma ligeira quebra na perceção da qualidade do trabalho, sugerindo que a velocidade de utilização nem sempre está a ser acompanhada por uma integração eficaz, estratégica e orientada para resultados.

A formação surge como o principal ponto fraco. Embora 90% dos profissionais manifestem interesse em adquirir competências em IA e 84% das empresas reconheçam essa necessidade, apenas 27% dos trabalhadores afirmam ter recebido formação específica. Além disso, 19% desenvolveram competências de forma autodidata, o que aponta para a ausência de estratégias estruturadas de capacitação em muitas organizações.

O impacto da IA no emprego é descrito como sobretudo evolutivo. Cerca de 57% das empresas afirmam que a IA não teve impacto no número de colaboradores, enquanto 24% identificam mesmo um aumento de oportunidades associado à adoção tecnológica.

A transformação está a verificar-se sobretudo nas funções e nas competências exigidas. A IA e a automação já são a segunda competência técnica mais procurada pelas empresas, surgindo em 29% das ofertas de emprego.

O estudo sublinha ainda a pressão crescente sobre o talento qualificado em Portugal. 87% das empresas pretendem recrutar este ano, numa altura em que a disponibilidade dos profissionais para mudar de emprego se encontra em mínimos históricos. Neste contexto, a IA surge como ferramenta de eficiência, mas também como resposta parcial à escassez estrutural de competências.

A entrada em aplicação de novas obrigações europeias sobre IA, prevista para agosto, deverá aumentar a exigência sobre transparência, supervisão e utilização responsável destas ferramentas. Para as empresas portuguesas, o desafio passa agora por transformar adoção em maturidade: formar equipas, definir regras, medir impacto e integrar a IA nos processos de forma segura e produtiva.
 


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