A Vodafone escolheu Portugal para instalar um novo centro global de cibersegurança, que ficará localizado na sede do operador, em Lisboa, e começará por empregar cerca de 40 especialistas. O Global Cyber Centre - Lisbon terá como missão reforçar a proteção das operações, redes, sistemas, serviços e clientes do grupo Vodafone em todo o mundo. Os processos de recrutamento já começaram e deverão decorrer até ao final do ano. Será o quinto hub do género, depois do Reino Unido, Alemanha, Roménia e India.
A empresa não revelou o montante do investimento nem um objetivo de expansão da equipa para além da fase inicial. Classifica, contudo, o projeto como um investimento de longo prazo e justifica a escolha de Portugal com as competências desenvolvidas pela operação nacional, a disponibilidade de profissionais especializados e o ecossistema tecnológico do país.
O centro português será integrado numa estrutura global que já dispõe de hubs no Reino Unido, Alemanha, Roménia e Índia. As equipas localizadas em Lisboa trabalharão com especialistas dos diferentes mercados da Vodafone, num modelo comum de prevenção, monitorização e resposta. A atividade abrangerá estratégia e arquitetura de segurança, gestão de risco, proteção de infraestruturas, desenvolvimento seguro de soluções internas e de terceiros, operações de cibersegurança e resposta a incidentes.
O centro terá também funções de demonstração tecnológica, contacto com clientes e colaboração com outras áreas do grupo. Não funcionará, por isso, apenas como um centro operacional de monitorização, mas como uma unidade que combina defesa, engenharia, inovação e apoio ao negócio.
A Vodafone indica que a sua estrutura global de cibersegurança reúne mais de 900 especialistas, protege mais de 300 milhões de clientes e monitoriza diariamente mais de dez mil milhões de eventos de segurança.
Uma das prioridades do novo centro será a segurança associada à IA. A expansão de agentes, modelos generativos, aplicações automatizadas e plataformas cloud está a aumentar o número de identidades, interfaces e fontes de dados que precisam de ser protegidas. Ao mesmo tempo, a IA está a ser incorporada nos próprios sistemas defensivos, permitindo analisar grandes volumes de sinais, automatizar investigações e reduzir o tempo necessário para detetar e conter ataques.
O Global Cybersecurity Outlook 2026, do Fórum Económico Mundial, identifica precisamente a aceleração da adoção de IA, a fragmentação geopolítica e o aumento das diferenças de capacidade entre organizações como fatores que estão a alterar o risco cibernético global.
Para a Vodafone, esta evolução exige uma gestão de segurança comum entre mercados, capaz de acompanhar ameaças dirigidas às redes, sistemas internos, fornecedores e cadeias de abastecimento. O grupo utiliza uma metodologia global de gestão de risco que associa técnicas de ataque aos controlos considerados mais eficazes e revê esse quadro em função da evolução tecnológica e regulatória.
O novo centro terá igualmente como foco a segurança quântica, incluindo a preparação para a substituição dos atuais mecanismos criptográficos por soluções resistentes a futuros computadores quânticos. Embora máquinas capazes de quebrar a criptografia utilizada atualmente ainda não estejam disponíveis, a migração de redes e sistemas complexos pode exigir vários anos. Os operadores de telecomunicações enfrentam um desafio particular, devido à extensão das infraestruturas, ao número de equipamentos instalados e à necessidade de manter serviços críticos durante a transição.
A escolha desta área surge no mesmo momento em que a Vodafone e o National Cyber Security Centre britânico defendem maior coordenação entre empresas, governos e fornecedores na migração para criptografia pós-quântica.
"A criação do GCC em Lisboa confirma a importância estratégica do mercado português para o Grupo Vodafone e reconhece não apenas o conhecimento especializado desenvolvido nos últimos anos nesta área pela operação portuguesa, mas também a elevada qualidade do talento em cibersegurança formado pelas universidades nacionais. Este é um passo muito relevante para posicionar Portugal e o seu talento no mapa global da cibersegurança e para reforçar a posição da Vodafone como empregador de referência", afirma Luís Lopes, CEO da Vodafone Portugal.
"A cibersegurança é fundamental para manter a confiança que os nossos clientes depositam em nós. A expansão das capacidades do Global Cyber da Vodafone para Lisboa reflete o investimento contínuo do Grupo nas pessoas, no conhecimento especializado e nas competências que asseguram uma conectividade segura e resiliente. O forte ecossistema tecnológico de Portugal e a qualidade do talento nacional na área da cibersegurança fazem do país uma localização de excelência para este investimento", acrescenta Emma Smith, Global CISO da Vodafone.
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