Huawei promete rota própria para chips mais avançados até 2031

2026-05-27

A Huawei apresentou uma nova estratégia para desenvolver chips mais avançados, tentando reduzir o impacto das sanções dos Estados Unidos e da falta de acesso às máquinas mais sofisticadas usadas na produção de semicondutores. A tecnológica chinesa diz que poderá chegar, até 2031, a chips com desempenho equivalente aos processos de 1,4 nanómetros, mesmo sem seguir exatamente o mesmo caminho dos principais fabricantes mundiais.

A proposta foi apresentada em Xangai por He Tingbo, responsável pela unidade de chips da Huawei. A empresa quer mostrar que ainda pode competir nos semicondutores avançados, apesar das restrições que limitam o acesso a equipamentos, software e componentes críticos. Tradicionalmente, a evolução dos chips tem passado por tornar os transístores cada vez mais pequenos. É essa lógica que está na base da chamada Lei de Moore, segundo a qual os chips se tornam mais potentes à medida que aumenta o número de transístores no mesmo espaço físico.

A Huawei quer seguir uma abordagem diferente. Em vez de depender apenas da redução do tamanho dos componentes, propõe melhorar a forma como os dados circulam dentro do chip. A ideia é reduzir atrasos, encurtar ligações internas e tornar o funcionamento global mais eficiente. A empresa chama a esta abordagem ‘Tau Scaling Law'.

A tecnologia associada a esta estratégia chama-se LogicFolding. O conceito passa por reorganizar e empilhar componentes internos do chip, de modo a aproximar funções que normalmente estariam mais separadas. Com isso, a Huawei espera melhorar desempenho e eficiência sem depender exclusivamente dos processos de fabrico mais avançados usados por empresas como TSMC, Samsung ou Intel.

Esta distinção é importante. A Huawei não está a dizer que já consegue fabricar fisicamente chips de 1,4 nanómetros nos mesmos termos da indústria tradicional. O que afirma é que quer alcançar um desempenho equivalente através de uma arquitetura alternativa.

A empresa deverá aplicar esta tecnologia nas próximas gerações dos chips Kirin, usados em smartphones, e Ascend, orientados para IA. Diz já ter produzido em massa 381 modelos de chips com métodos próprios de design e integração, sinalizando a aposta chinesa na autossuficiência tecnológica.

O anúncio surge num momento em que a China tenta reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros em semicondutores avançados. Desde 2019, a Huawei está sujeita a restrições norte-americanas que limitaram fortemente o seu acesso às cadeias globais de fabrico de chips. Apesar disso, regressou ao mercado com chips de 7 nanómetros produzidos pela SMIC, mostrando algum progresso dentro das limitações existentes.

Para o setor, o anúncio confirma que a corrida dos semicondutores está a entrar numa nova fase. A miniaturização continua a ser decisiva, mas os limites físicos, os custos de fabrico e as tensões geopolíticas estão a acelerar caminhos alternativos. A Huawei quer posicionar-se precisamente nesse espaço: sem acesso às mesmas ferramentas dos rivais ocidentais, procura criar uma rota própria para continuar a competir na era da IA.